Receita Federal apresenta relatório técnico e reforça preparação institucional para a Rota Bioceânica em MS
Estudo elaborado após expedição ao longo do Corredor Bioceânico destaca desafios logísticos, integração aduaneira e estratégias para ampliar a competitividade regional.

O secretário especial da Receita Federal do Brasil, Robinson Barreirinhas, participou na manhã desta quarta-feira (1º), em Campo Grande, de uma reunião com o governador Eduardo Riedel para apresentar um relatório técnico elaborado pela Receita Federal a partir da expedição realizada ao longo do Corredor Bioceânico. O trabalho integra o programa "Aduanas sem Fronteiras" e reúne informações sobre infraestrutura, logística, facilitação do comércio, integração aduaneira e impactos para o desenvolvimento regional.
Estudo percorreu todo o Corredor Bioceânico
O relatório reúne os principais resultados da missão de reconhecimento realizada ao longo do corredor logístico que conecta o Porto de Santos, no Brasil, ao Porto de Antofagasta, no Chile, atravessando regiões do Paraguai e da Argentina.
A apresentação técnica aborda aspectos relacionados à infraestrutura, logística, facilitação do comércio, integração aduaneira e os impactos econômicos e estratégicos da Rota Bioceânica para os países envolvidos.
Durante o encontro, o governador Eduardo Riedel destacou a relevância estratégica do projeto para a integração regional e ressaltou que a competitividade do corredor dependerá não apenas da infraestrutura física, mas também da capacidade de articulação entre as instituições dos quatro países participantes.
"É uma alegria receber o secretário Barreirinhas aqui em Mato Grosso do Sul para uma reunião de trabalho sobre a Rota Bioceânica. Trata-se de um projeto que envolve quatro países e oito governos subnacionais, como Mato Grosso do Sul, que há muito tempo vêm discutindo e construindo essa agenda conjunta. Costumamos dizer que a rota é o hardware, representado pelas estradas e pontes, mas tão importante quanto isso é a inteligência da rota, ou seja, a capacidade dos fiscos, das polícias e das instituições se conectarem para garantir competitividade", afirmou.
Integração institucional é apontada como fator decisivo
Riedel também destacou a importância da presença da equipe da Receita Federal no Estado e do levantamento técnico realizado ao longo do corredor logístico.
"O secretário veio pessoalmente a Mato Grosso do Sul, acompanhado de sua equipe, realizou um importante trabalho de análise e levantamento de informações e traz agora um relatório que permitirá compreender melhor os desafios que ainda precisamos superar para consolidar a Rota Bioceânica", disse.
O secretário Robinson Barreirinhas afirmou que o Corredor Bioceânico é uma prioridade estratégica do Governo Federal e ressaltou a necessidade de integração entre os órgãos públicos e os países envolvidos.
"O corredor é uma prioridade do Governo Federal e envolve diversos órgãos, como a Receita Federal, a Polícia Federal e outras instituições. Sabemos que precisamos olhar para o Pacífico e, ao mesmo tempo, fortalecer a integração regional com Paraguai, Argentina e Chile, países parceiros que apresentam grande potencial para ampliar o comércio com o Brasil", afirmou.
Receita Federal defende redução da burocracia
Segundo Barreirinhas, a Receita Federal adotou uma metodologia baseada na escuta dos setores produtivos para desenvolver soluções alinhadas às necessidades do comércio exterior.
"Nós não estamos construindo um projeto para depois apresentar aos empresários. Fizemos uma missão de reconhecimento, percorrendo todo o trajeto até o porto de Antofagasta, registrando informações e identificando desafios. O objetivo é apresentar esse trabalho e ouvir dos empresários o que eles precisam da Receita Federal para que essa rota funcione plenamente. É a Receita que deve se adaptar às necessidades dos usuários, e não o contrário", explicou.
O secretário destacou ainda que a competitividade da Rota Bioceânica dependerá diretamente da redução da burocracia e do fortalecimento da integração aduaneira, dos mecanismos de controle e da segurança.
"Não adianta reduzir o tempo de transporte em quase duas semanas se perdermos esse ganho em procedimentos burocráticos. Precisamos construir um ambiente de confiança entre os países, com integração, rastreabilidade e segurança, garantindo que a carga chegue ao destino com eficiência e previsibilidade", afirmou.
Campo Grande foi escolhida para a primeira apresentação do relatório
Barreirinhas ressaltou que a Receita Federal vem se preparando estrategicamente para a operação do corredor e justificou a escolha de Campo Grande para sediar a primeira apresentação pública dos resultados da expedição.
"Estamos preparados e continuaremos nos preparando para esse novo cenário. A infraestrutura física é fundamental, mas é o funcionamento dos sistemas, das instituições e da integração entre os países que garantirá o sucesso da rota. Não por acaso, a primeira apresentação desse relatório ocorre em Campo Grande, que representa a principal porta de entrada e um dos centros estratégicos desse grande projeto de integração sul-americana", concluiu.
O encontro contou ainda com a participação dos secretários Artur Falcette, Rodrigo Perez e Flávio César.
