Programa de conservação já implantou mais de 721 km de terraços na Bacia do Taquari
Ações de conservação de solo e recuperação de estradas rurais apresentadas no Pantanal Tech buscam reduzir erosão e assoreamento no Pantanal.

Com mais de 721 quilômetros de terraços implantados e 3.118 hectares de áreas produtivas protegidas, o programa PROSOLO é um dos destaques apresentados pelo Instituto Taquari Vivo (ITV) durante a edição do Pantanal Tech MS. Os resultados das ações de conservação de solo e recuperação de infraestrutura rural na Bacia do Taquari demonstram avanços no enfrentamento da erosão e do assoreamento que impactam o Pantanal.
O Instituto participou do evento com um estande voltado à apresentação de iniciativas de recuperação ambiental, fortalecimento produtivo e desenvolvimento sustentável do bioma. O espaço reúne produtores rurais, pesquisadores, estudantes e representantes do setor produtivo interessados em soluções práticas para a crise climática da Bacia do Taquari.
Conservação de solo e recuperação de estradas
Quem vive ou produz na Bacia do Taquari convive há décadas com os impactos provocados pelo assoreamento dos rios e pela perda de solo fértil em decorrência dos processos erosivos. Para enfrentar esse desafio, o ITV apresenta os resultados do PROSOLO, programa voltado à aplicação de técnicas de conservação de solo e à readequação de estradas vicinais.
As ações, aprovadas em 2024 no âmbito de uma política estadual gerida pela Semadesc, abrangem os municípios de Coxim, Bonito, Figueirão e Alcinópolis. Entre 2022 e 2025, foram implantados 721,8 quilômetros de terraços, estruturas responsáveis por garantir a proteção direta de 3.118 hectares de áreas cultiváveis.
Paralelamente, o programa promoveu a readequação e recuperação de 67,4 quilômetros de estradas rurais e vicinais, contribuindo para melhorar o escoamento da produção e reduzir os impactos causados pela erosão.
A implantação dessas barreiras físicas impede que a água das chuvas carregue a camada fértil do solo, garantindo maior sustentabilidade para pastagens e lavouras localizadas na parte alta da bacia e reduzindo o volume de sedimentos transportados para a planície pantaneira.
Pantanal Tech como espaço de integração
Além da apresentação dos resultados técnicos, o estande do Instituto Taquari Vivo funciona como uma vitrine tecnológica e institucional para detalhar as metodologias aplicadas nos projetos desenvolvidos na região.
Segundo o diretor-executivo do Instituto, Renato Roscoe, o Pantanal Tech representa uma oportunidade de aproximar diferentes setores envolvidos no desenvolvimento do bioma.
"Entendemos que o Pantanal Tech é uma grande oportunidade de juntar diferentes formas de pensamento e diferentes grupos de interesse no Pantanal. E para tratarmos de forma clara, os temas ligados ao desenvolvimento do bioma, precisamos de todos os atores presentes na discussão, estimulando a troca e a difusão de conhecimento", afirmou.
Rede de sementes alia restauração ambiental e inclusão social
Outra iniciativa apresentada pelo Instituto durante o evento é a Rede de Sementes Flor do Cerrado, criada em 2022 por meio de parceria entre o ITV, o WWF-Brasil e a Associação de Restauração Ecológica e Inclusão Social (ARCP).
O projeto reúne cerca de 86 coletores de sementes nativas, sendo a maioria formada por mulheres residentes em comunidades quilombolas e assentamentos rurais. As atividades são desenvolvidas nos municípios de Figueirão, Sidrolândia, Nioaque e Corguinho.
Além de promover inclusão social e geração de renda por meio do extrativismo sustentável, as sementes coletadas abastecem projetos de restauração ecológica nos corredores de biodiversidade Figueirão-Rio Negro-Jaraguari e Miranda-Bodoquena, contribuindo para a recuperação da cobertura vegetal em áreas consideradas prioritárias para a conservação ambiental.
O estande do Instituto também conta com atividades voltadas à educação ambiental, incluindo jogos educativos para estudantes e um espaço dedicado à apresentação das sementes nativas utilizadas na restauração do bioma.
