Presídio de São Gabriel elege sua representante para o Miss Penitenciária MS




O concurso contou com a participação de cinco candidatas, que desfilaram nos trajes casual e banho. Parte das roupas foi confecciona no próprio presídio e lojas parceiras também contribuíram com alguns looks.
O diretor do presídio, Albino Gonçalves Lima Júnior, destacou que a organização do concurso contou com a participação de todos os funcionários do estabelecimento, além da juíza Samantha Ferreira Barione.
Claudia que já está no presídio de São Gabriel há dois anos, e cumpre pena por tráfico, relatou ao sobre a participação no concurso. "Estimula a autoestima da pessoa, porque normalmente vivemos trancadas e nos sentimos muito só, quando interagimos com outras pessoas e vemos um evento desses, até nos sentimos melhor, mesmo estando onde estamos".
Sobre a participação na etapa estadual do Miss Penitenciária MS, Claudia diz que vai se empenhar ainda mais, pois nunca havia desfilado e tentará trazer o título para São Gabriel.
Ao fim do concurso, a organização exibiu um vídeo com familiares das reeducandas, que emocionou todas. "Foi muito emocionante, nós não esperávamos. Você vê o quanto as pessoas te amam lá fora, ai você pensa bem para quando sair daqui o que vai continuar fazendo", disse Claudia.
A reeducanda encerrou a entrevista mandando um beijo e abraço aos familiares e dizendo que ama todos.
Ressocialização
Claudia é uma das cinco reeducandas que participam do projeto Ateliê D′Cela, que surgiu da necessidade de se criar vagas de trabalho dentro do Estabelecimento Penal Feminino de São Gabriel do Oeste, no qual as detentas estão produzindo artesanato para venda e arrecadação de verbas para sua manutenção.
Segundo Claudia o projeto é importante, e espera que o mesmo dê certo e traga trabalho para mais detentas. "Acho muito interessante, pois quando as peças ficam prontas, nós nem acreditamos que fomos nós quem fizemos. Você sai daqui já na cabeça de que quer trabalhar, pois aqui está trabalhando e recebendo, e ao sair já está mais estabilizado, porque para sair daqui e ficar meio perdido, sem ter nada para fazer, fica mais difícil".
O diretor do presídio informou que o projeto é realizado em parceria pela Agepen e Conselho da Comunidade, sendo que a intenção é amplia-lo e até o fim do ano ter mais reeducandas trabalhando no ateliê. Segundo o diretor, a cada três dias trabalhados, um dia é diminuído na pena, além de receberem dois terços de um salário mínimo para suprir necessidades pessoais.
