Polícia Científica orienta idosos sobre golpes digitais durante ação do Junho Prata em Campo Grande

Palestra reuniu participantes da Associação Amor pela Vida e trouxe orientações práticas para evitar fraudes em aplicativos, redes sociais e serviços bancários.

Publicado em 24/06/2026 às 13:47 - do Idest, JWC - Em Variedade

Ação do Núcleo de Computação Forense reuniu 22 participantes e mostrou como confirmar mensagens suspeitas, proteger contas e preservar vestígios.
Ação do Núcleo de Computação Forense reuniu 22 participantes e mostrou como confirmar mensagens suspeitas, proteger contas e preservar vestígios. (Divulgação PCi-MS)

A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS) promoveu nesta terça-feira (23), em Campo Grande, uma palestra voltada à prevenção de golpes digitais contra pessoas idosas. A atividade, realizada na Associação Amor pela Vida, integrou a programação do Junho Prata, campanha dedicada à valorização e proteção da população idosa.

A ação foi conduzida pelo Núcleo de Computação Forense e reuniu 22 participantes, que receberam orientações sobre como identificar tentativas de fraude, proteger dados pessoais e agir diante de situações suspeitas.

Entre os participantes estava o aposentado Nilson João Neves, de 73 anos, que horas antes do encontro recebeu uma mensagem solicitando a atualização de um cadastro que nunca havia realizado.

Desconfiado, ele não acessou o link e bloqueou o número.

A situação acabou ilustrando uma das principais recomendações apresentadas durante a palestra: diante de mensagens urgentes ou pedidos inesperados, interromper o contato e confirmar a informação antes de clicar em links, fornecer dados ou realizar transferências.

Nilson João Neves, de 73 anos, a esposa, Jane da Silva São Romão, de 76, e a bisneta participaram da dinâmica com orientações para prevenção de golpes digitais.
Nilson João Neves, de 73 anos, a esposa, Jane da Silva São Romão, de 76, e a bisneta participaram da dinâmica com orientações para prevenção de golpes digitais. (Foto: Divulgação PCi-MS)

Tecnologia facilita, mas exige atenção

Há pouco mais de um mês frequentando a Associação Amor pela Vida, Nilson participou da atividade ao lado da esposa, Jane da Silva São Romão, de 76 anos, e da bisneta.

Enquanto ele utiliza o celular para pagamentos e acesso a serviços bancários, Jane costuma usar o aparelho para conversar com familiares e acompanhar conteúdos nas redes sociais.

“Hoje eu pago minhas contas de casa. Se não fosse isso, teria que ir ao banco ou à lotérica. A tecnologia facilita muito a vida da gente”, afirmou Nilson.

Apesar da familiaridade com os recursos digitais, o aposentado revelou já ter sido vítima de golpe bancário.

“A gente não está livre de cair. Foi bom para aprender”, comentou.

Jane também relatou que já recebeu mensagens prometendo dinheiro e solicitando pagamentos para liberação de supostos valores.

“Eu não passo de jeito nenhum. Tenho que ficar atenta a todas as ligações e mensagens que chegam”, disse.

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(Foto: Divulgação PCi-MS)

Criminosos exploram pressa, medo e confiança

Responsável pela palestra, o perito criminal Jefferson Lucena, especialista em Computação Forense e Segurança da Informação, explicou que os golpistas costumam explorar sentimentos como urgência, medo, confiança e a promessa de vantagens financeiras.

Durante a apresentação foram citados exemplos frequentes de fraudes, como pedidos urgentes de Pix, falsos familiares alegando troca de número de telefone, links enviados por SMS, clonagem de perfis e anúncios com preços muito abaixo do mercado.

Também foram discutidas situações em que criminosos utilizam fotografias, áudios e vídeos para se passar por pessoas conhecidas.

A orientação é sempre interromper o contato e confirmar qualquer solicitação por outro canal, utilizando números já conhecidos ou meios oficiais da empresa ou instituição envolvida.

“O ideal é que você só aceite convite de pessoas que conhece”, orientou o especialista.

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(Foto: Divulgação PCi-MS)

Preservar provas é fundamental

Além da prevenção, os participantes receberam orientações sobre como agir caso sejam vítimas de golpes.

Segundo a Polícia Científica, mensagens, áudios, números de telefone, perfis, links, horários e comprovantes podem se tornar vestígios digitais importantes para as investigações.

A recomendação é não apagar conversas, não restaurar o celular e não descartar o aparelho antes de receber orientação das autoridades.

Também é importante comunicar rapidamente bancos e plataformas digitais, bloquear cartões, alterar senhas, avisar familiares e registrar boletim de ocorrência.

No Núcleo de Computação Forense, celulares, computadores e demais dispositivos podem passar por exames periciais para identificação, preservação e análise de evidências digitais que auxiliem nas investigações.

Informação para compartilhar com a família

Ao final da atividade, os participantes receberam folders com orientações práticas de segurança digital e participaram de uma dinâmica com mensagens educativas como “antes do Pix, confirme”, “não clique em links suspeitos”, “guarde provas” e “senha e código são secretos”.

A proposta foi transformar as orientações em mensagens simples e fáceis de compartilhar com familiares e amigos.

Também foram distribuídas mudas de plantas aos participantes, encerrando uma ação voltada à proteção da autonomia das pessoas idosas no ambiente digital.

Para Nilson, o aprendizado reforçou a importância de utilizar a tecnologia com responsabilidade.

“Hoje em dia é necessário aprender. Tem que saber para não cair em golpe”, concluiu.