MPMS investiga granja após denúncias de infestação de moscas em Ivinhema
Inquérito civil apura possíveis irregularidades ambientais e sanitárias após moradores relatarem invasão de insetos em residências do município.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades ambientais e sanitárias relacionadas à proliferação de moscas e larvas em Ivinhema. A investigação, conduzida pela 2ª Promotoria de Justiça da comarca, tem como foco uma granja na zona rural, apontada como possível origem dos transtornos relatados por moradores.
A apuração começou após uma representação apresentada por um vereador, que relatou a presença excessiva de insetos em residências e possíveis riscos à saúde pública. Moradores anexaram fotografias que mostram moscas sobre utensílios, embalagens de alimentos e estruturas das casas.
Vistorias realizadas por órgãos de fiscalização identificaram falhas no controle de vetores e no manejo operacional da propriedade avícola, que chegou a ser interditada sanitariamente em agosto de 2026.
Fiscalização identificou falhas na granja
Em uma inspeção realizada no final de 2025, a Vigilância Sanitária Municipal solicitou à empresa o Plano de Controle e Manejo de Pragas e Moscas, mas o documento não foi apresentado naquela ocasião.
Já em fiscalização realizada em 20 de agosto de 2026, técnicos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) constataram larvas vivas de moscas em diferentes estágios de desenvolvimento, inclusive no terceiro estágio, conhecido como L3.
O relatório apontou aplicação ineficaz de inseticidas sobre as fezes das aves, acúmulo de dejetos a céu aberto, telas rasgadas ou suspensas nos galpões, portas abertas na composteira e presença de entulhos de construção no núcleo avícola.
Diante das irregularidades identificadas, as instalações foram interditadas sanitariamente até que os problemas fossem corrigidos.
Imasul exigiu adequações estruturais
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) notificou o empreendimento para realizar adequações na composteira, construir um leito impermeabilizado para secagem de dejetos com sistema de contenção de chorume, regularizar a captação de água subterrânea e apresentar um cronograma de reforma dos barracões.
Em uma vistoria de retorno, no final de agosto de 2026, a Iagro observou melhora expressiva nas condições dos galpões e uma interrupção temporária do ciclo reprodutivo das larvas após adequações emergenciais realizadas na granja.
A defesa técnica do estabelecimento alegou que a propriedade passava por uma transição do sistema tradicional de criação em gaiolas para o modelo de galinhas soltas sobre cama de maravalha. Também recusou a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), sob o argumento de que estava resolvendo as pendências por conta própria.
Apesar das melhorias observadas nas inspeções pontuais, moradores do bairro Eco Park voltaram a relatar a persistência da infestação nas residências próximas.
MPMS determina novas diligências
Diante da divergência entre os relatos da comunidade e os resultados das vistorias dos órgãos públicos, o promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki converteu a Notícia de Fato em inquérito civil.
Entre as providências determinadas pelo Ministério Público estão a oitiva de moradores, a realização de perícia técnica ambiental pela Secretaria de Desenvolvimento de Apoio às Atividades de Execução (Daex/MPMS) e o acompanhamento das exigências feitas pelo Imasul e pela Iagro.
O procedimento também prevê prazo de 10 dias úteis para apresentação de defesa e de eventuais quesitos periciais.
O objetivo do MPMS é apurar as responsabilidades e buscar uma solução definitiva para o problema, com medidas permanentes de controle biológico e fiscalização para eliminar possíveis riscos à saúde pública e preservar a qualidade de vida dos moradores da região.
