Em aeroporto de Cumbica, passageiro espera até 2 horas por mala
Os dados, inéditos, são de um monitoramento feito pela Infraero em Cumbica (Guarulhos), obtido pela Folha via Lei de Acesso à Informação.
O diagnóstico revela: nos voos dentro do país, a Avianca é a mais rápida (25 minutos) e a TAM, a mais lenta (30 minutos). Nos internacionais, o melhor serviço é da Delta (35 minutos) e o pior, da mesma Avianca (51 minutos).
A medição se deu entre a parada do avião e a chegada da última mala à esteira, em 4.000 voos monitorados.
A comparação dos voos domésticos é entre novembro de 2011 e junho. Nos internacionais, entre março e junho.
O padrão internacional prevê que a última mala do passageiro chegue em até 25 minutos nos voos domésticos e 40 nos internacionais. Ele vale para terminais tops do mundo, como Incheon (Seul).
Em Cumbica, quase ninguém atingiu esse índice. Os picos de demora foram de Webjet (39 min) e Iberia (117 min). O tempo irrita os passageiros, como o administrador Gabriel Prado, 37, para quem a situação nos outros aeroportos do país é ainda pior.
Culpa Dividida
A mala demora por responsabilidade da Infraero e das empresas aéreas. Reservadamente, um culpa ao outro.
O primeiro motivo é a infraestrutura: as esteiras em Cumbica são ultrapassadas (datam da inauguração, em 1985), e falta espaço para os carrinhos que trazem as bagagens dos aviões pararem.
É comum ainda um avião parar longe das pontes de embarque, o que eleva a espera.
A outra parcela é das empresas. A retirada de malas dos aviões é quase toda terceirizada. Por economia, há quem ponha menos gente. As empresas negam.
"Os dois lados têm razão. Só que a Infraero é até privilegiada pela desorganização de algumas companhias. Se todo mundo entrar no eixo, a infraestrutura não suporta", disse, sob anonimato, o dirigente de uma empresa.
Em relatório de junho, o Tribunal de Contas da União propôs à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que disciplinasse a devolução de bagagens, questão que considerou "grave". A Anac ainda não se pronunciou.
A Secretaria de Aviação Civil diz que, em Cumbica, o tema será objeto de acordo entre a Concessionária Aeroporto Internacional de Guarulhos, que irá gerir o aeroporto, e as empresas aéreas.
