El Niño pode provocar onda de calor em MS, com temperaturas acima da média e chuvas irregulares

Cemtec prevê precipitações acima da média histórica entre novembro e janeiro, mas alerta para diferenças entre regiões; Estado já capacitou 675 profissionais de saúde para enfrentar eventos climáticos extremos.

Publicado em 23/10/2026 às 13:55 - da Redação - Em Variedade

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(Álvaro Rezende - arquivo)

Mato Grosso do Sul deve enfrentar um trimestre com temperaturas acima da média histórica, possibilidade de ondas de calor e chuvas distribuídas de forma irregular em razão da atuação do El Niño. A previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) indica tendência de precipitações acima da média entre novembro e janeiro, mas também aponta risco de períodos de estiagem e tempestades severas.

O cenário inclui possibilidade de chuvas intensas, vendavais, descargas elétricas e queda de granizo. O aquecimento durante o dia também favorece a formação de instabilidades atmosféricas, que podem provocar tempestades de curta duração.

Chuvas podem ocorrer de forma irregular

A meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, explica que a previsão de chuva acima da média não significa que todas as regiões do Estado terão o mesmo comportamento climático.

“Mato Grosso do Sul está inserido em uma zona de transição climática, apresentando elevada variabilidade espacial e temporal das condições atmosféricas, principalmente de precipitação. O trimestre, entre novembro e janeiro, tem tendência de chuvas acima da média, mas podem ocorrer períodos de estiagem, distribuição irregular, diferenças significativas entre regiões e municípios”, destaca.

A previsão também aponta a permanência do El Niño no próximo trimestre, com possibilidade de o fenômeno atingir a categoria muito forte. Nesse contexto, episódios de calor intenso podem ocorrer mesmo com a tendência geral de aumento das chuvas.

Segundo Valesca, Mato Grosso do Sul já registrou ondas de calor e temperaturas acima da média histórica. No entanto, o cenário atual apresenta diferenças em relação a 2023 e 2024, quando a atuação de um El Niño forte esteve associada a intenso aquecimento e expressivo déficit de chuvas, condições que favoreceram a propagação de grandes queimadas.

Estado capacita profissionais de saúde

Diante da previsão de eventos climáticos extremos, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) já capacitou 675 profissionais para atuar em situações relacionadas aos impactos do El Niño.

Os treinamentos começaram em agosto e abrangeram as nove regiões de saúde, além da Capital, Porto Murtinho e profissionais da saúde indígena. A preparação inclui orientações clínicas, protocolos de emergência e avaliação da estrutura dos municípios para enfrentar situações como secas, queimadas, ondas de calor e chuvas intensas.

A programação chegou a Porto Murtinho nos dias 20 e 21 de outubro, quando mais de 25 profissionais foram capacitados. A inclusão do município no plano considera sua relevância no contexto da Rota Bioceânica.

Em 31 de agosto, 51 integrantes do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) participaram de uma atividade voltada à preparação para o atendimento de populações vulneráveis.

Coxim teve 77 profissionais capacitados

Entre os polos regionais, Bonito registrou 101 profissionais capacitados, seguido por Coxim, com 77, e Campo Grande, com 76.

As capacitações também foram realizadas em Dourados, Corumbá, Nova Andradina, Chapadão do Sul, Ponta Porã e Três Lagoas.

O coordenador da Coordenação do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da SES, Karyston Adriel da Costa, ressalta a importância de preparar os profissionais para reconhecer os riscos e prestar atendimento adequado durante eventos extremos.

“Em situações de eventos climáticos extremos, a identificação precoce dos riscos e o atendimento adequado fazem diferença na prevenção de complicações. Por isso, é importante que os profissionais estejam preparados para reconhecer os agravos relacionados a esses eventos e adotar as condutas necessárias em cada situação”, afirma.