Da dor à solidariedade: história de Eli do Geladão transforma vendas em esperança para animais resgatados

Protetora independente de São Gabriel do Oeste relembra desafios da infância, perdas e a missão de cuidar de animais abandonados por meio da venda de geladões.

Publicado em 16/07/2026 às 14:42 - do Idest, JWC - Em Variedade

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(Reprodução/Redes Sociais)

A protetora independente Eliene Vieira Dias, conhecida como Eli do Geladão, compartilhou a trajetória que a levou a dedicar parte da vida ao resgate e cuidado de animais em São Gabriel do Oeste. Segundo ela, a venda de geladões é a principal fonte de recursos para manter o trabalho, custeando alimentação, medicamentos, atendimento veterinário e castrações.

"Cada geladão vendido representa muito mais do que uma venda. Ele se transforma em ração, medicamentos, atendimento veterinário, castrações e esperança para tantos animais que cruzam o meu caminho", afirma.

Infância marcada por exemplos de solidariedade

Eli conta que precisou amadurecer cedo. Aos 7 anos, viu o pai enfrentar um câncer e diz que, mesmo durante a doença, ele nunca deixou de demonstrar solidariedade.

Uma das lembranças mais marcantes, segundo ela, foi quando o pai doou a única blusa de frio que possuía para aquecer outra pessoa.

"Foi ali que aprendi que a verdadeira riqueza está na bondade", relembra.

Ela também destaca o esforço da mãe, que saía diariamente em busca do sustento da família, preservando valores como honestidade, dignidade e união. Além dos pais, cita a madrasta do pai e uma tia como pessoas que reforçaram os ensinamentos sobre empatia e solidariedade.

Um geladão que ajuda a salvar vidas

Inspirada pelas experiências vividas na infância, Eli criou o projeto Eli do Geladão – Causa Animal, que hoje mantém com recursos obtidos por meio das vendas dos geladões.

Além de custear despesas com os animais resgatados, ela afirma que também procura ajudar pessoas em situação de necessidade sempre que possível.

"Sempre que posso, também estendo a mão para pessoas que precisam, porque acredito que fazer o bem não tem endereço nem espécie. Amor é amor."

Atualmente, Eli cuida de 22 gatos e sete cães.

Além dos animais que vivem sob seus cuidados, Eli diz que também guarda lembranças de cães que cruzaram seu caminho. Um deles foi um cachorro caramelo que apareceu enquanto ela vendia geladões.

Segundo a protetora, o animal se aproximou de forma dócil, recebeu alimento e carinho, mas nunca mais voltou a ser visto. "Ele chegou, me cumprimentou, deu uma lambida no meu rosto. Coloquei ração para ele e nunca mais vi o caramelo", recorda.

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(Foto: Arquivo pessoal)

A despedida de um companheiro

Entre os momentos mais difíceis da caminhada, Eli destaca a perda recente de um cachorro cadeirante que vivia sob seus cuidados.

Segundo ela, o animal morreu em razão da idade avançada, deixando um vazio em sua rotina.

"Ainda estou de luto e sinto muita saudade. Mas sei que ele gostaria de me ver continuando. Existem muitos outros animaizinhos esperando por ajuda", relata.

Ela prestou homenagem ao cachorro Marlon, que faleceu no último dia 29 de junho, às 19h30. Para Eli, a história do animal simboliza o impacto que o resgate e a recuperação podem proporcionar na vida de animais abandonados.

Bastidores da causa animal

Ao falar sobre a rotina de uma protetora independente, Eli afirma que muitas pessoas conhecem apenas o resultado dos resgates, sem imaginar as dificuldades enfrentadas diariamente.

Um dos episódios que mais a marcou envolveu um cachorro chamado Tizil. Antes de adaptar o espaço para separar cães e gatos, o animal escapou, correu atrás de uma motocicleta e acabou mordendo o motociclista.

Segundo Eli, ao chegar ao local encontrou o homem segurando um capacete e prestes a atingir o cachorro.

"Peguei o Tizil no colo e disse: 'Moço, se o senhor quiser bater, bata na minha cabeça, mas nele o senhor não vai bater'", recorda.

Ela ressalta que muitos animais resgatados carregam traumas e medo, necessitando de paciência, cuidado e uma nova oportunidade.

Persistência diante das dificuldades

Ao longo da atuação como protetora independente em São Gabriel do Oeste, Eli afirma que já enfrentou xingamentos, humilhações, agressões e julgamentos por dedicar seu tempo à causa animal.

Apesar das dificuldades, ela diz que pretende continuar o trabalho.

"A minha história me ensinou que com pouco podemos fazer muito. E enquanto Deus me der forças, continuarei fazendo a minha parte", afirma.

Como ajudar

Quem deseja contribuir com o trabalho desenvolvido por Eli do Geladão – Causa Animal pode entrar em contato pelo telefone 67.99965.6535. Também é possível acompanhar os resgates, campanhas e ações pelo Instagram @eli_do_geladao_causaanimal.

Segundo Eli, a compra dos geladões e as contribuições da comunidade ajudam a manter o atendimento aos animais resgatados, custeando despesas com alimentação, medicamentos, atendimento veterinário e castrações.

A protetora optou por não receber doações diretamente em seu Pix pessoal. As contribuições podem ser realizadas por meio da Happy Dog Pet Shop e Veterinária, da empresária Andressa Vilela Thomé, parceira da causa animal em São Gabriel do Oeste.

Conforme explicou a protetora, qualquer doação destinada aos animais — como ração, medicamentos, areia para gatos, produtos de higiene ou outros itens — pode ser identificada como destinada aos animais da Eli do Geladão, que a equipe da Happy Dog fará o repasse.

A Happy Dog Pet Shop e Veterinária está localizada na Rua José Honório Sobrinho, nº 222. O estabelecimento também disponibiliza o CNPJ 26.459.282/0001-83, que pode ser utilizado para doações via Pix.

"Eu não gosto de colocar o meu Pix porque, infelizmente, existem pessoas que agem de má-fé e acabam julgando quem trabalha sério. A Andressa conhece o meu trabalho, faz esse intermédio e quem ajudar terá a certeza de que a doação chegará aos animaizinhos", afirma Eli.