Bombeiros de MS recebem capacitação para identificar e atender mulheres vítimas de violência

Protocolo estabelece diretrizes para acolhimento, avaliação de riscos e encaminhamento das vítimas à rede de proteção, desde o primeiro contato até a continuidade da assistência.

Publicado em 27/10/2026 às 10:50 - da Redação - Em Variedade

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(Divulgação CBM)

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) está capacitando militares para identificar sinais de violência contra mulheres e meninas e realizar o atendimento de forma segura, técnica e humanizada. A formação, promovida com apoio da Fundação Escola de Governo de Mato Grosso do Sul (Escolagov), aborda o Procedimento Operacional Padrão (POP), que orienta a atuação das equipes desde o recebimento da chamada até o encaminhamento aos serviços competentes.

A iniciativa considera as particularidades das ocorrências atendidas pelos bombeiros, que frequentemente chegam ao local antes de outros profissionais. Situações inicialmente registradas como quedas, acidentes ou outras emergências podem envolver contextos de violência que não são identificados imediatamente.

Protocolo orienta atendimento e avaliação de riscos

O procedimento estabelece diretrizes para o acolhimento das vítimas, a avaliação de riscos, o registro das informações relevantes e a transferência do cuidado. Entre as orientações estão a escuta acolhedora, a preservação da privacidade e a realização apenas das perguntas necessárias ao socorro, evitando questionamentos repetitivos que possam causar constrangimento ou sofrimento adicional.

O protocolo também prevê a avaliação da segurança da vítima, dos profissionais e de terceiros, além da solicitação de apoio policial quando necessário. A preservação de possíveis vestígios deve ocorrer sem comprometer as medidas de socorro, enquanto o transporte precisa seguir a regulação de urgências, com atenção à segurança e à privacidade.

A continuidade da assistência depende da articulação com os serviços da rede de proteção, que pode envolver as áreas de saúde, segurança pública, assistência social e atendimento especializado à mulher.

Nos casos que envolvem meninas, as orientações incluem o uso de linguagem adequada à idade, a atenção às necessidades específicas de proteção e o acionamento do Conselho Tutelar, quando necessário.

Segundo o diretor de Ensino, Instrução, Pesquisa e Educação (DEIPE) do CBMMS, coronel Waldemir Moreira Junior, o protocolo amplia a capacidade das equipes de reconhecer situações de violência e orientar a resposta dos profissionais.

“O POP orienta as equipes a reconhecer esses indícios, avaliar os riscos e prestar um atendimento técnico, seguro e humanizado, integrado à rede de proteção”, afirma.

Capacitação prepara militares para reconhecer sinais de violência

A formação busca transformar as diretrizes do protocolo em procedimentos aplicáveis à rotina operacional. O conteúdo aborda a avaliação de fatores de risco, a comunicação com a vítima, a preservação de informações relevantes e o encaminhamento aos órgãos competentes.

Um dos pontos destacados é que a ausência de um relato explícito não descarta a possibilidade de violência. Por isso, a observação do contexto e a atenção às circunstâncias da ocorrência podem contribuir para identificar situações que exigem medidas adicionais de proteção, respeitando os limites de atuação do Corpo de Bombeiros.

O coronel Waldemir Moreira Junior destaca que a parceria com a Escolagov contribui para a formação continuada dos militares.

“A parceria com a Escolagov contribui para ampliar o acesso a esse conhecimento e fortalecer a educação continuada no CBMMS. Nosso objetivo é transformar esse aprendizado em condutas concretas, para que cada mulher ou menina atendida encontre uma equipe preparada para acolher, proteger e contribuir para a continuidade da assistência”, afirma.

Militares destacam importância da abordagem humanizada

Para o sargento Michel Angelo Tingo Melin, do CBMMS, a capacitação ampliou a compreensão sobre a importância de observar as circunstâncias de cada ocorrência. O militar atua no Serviço Motossocorro, atividade em que as equipes podem ser as primeiras a chegar ao local e estabelecer contato com a vítima.

“Para mim, o mais importante foi aprender a olhar para essas situações com mais atenção e sensibilidade. Como atuo no Serviço Motossocorro, muitas vezes somos os primeiros bombeiros a chegar ao local de uma ocorrência e a ter contato com a vítima”, destaca.

Segundo o sargento, o curso reforçou a necessidade de observar possíveis sinais de violência que nem sempre são percebidos de imediato.

“O curso me fez perceber que, além de prestar o atendimento necessário, precisamos estar atentos ao que acontece ao redor e entender que pode existir uma situação de violência que nem sempre é percebida de imediato”, relata.

O militar também ressalta que o atendimento deve ser realizado sem julgamentos, com respeito à vítima e cumprimento dos procedimentos estabelecidos.

“Acredito que nosso trabalho não é apenas chegar rápido e prestar o atendimento, mas também tratar cada pessoa com humanidade, respeito e dignidade, especialmente em um momento de tanta vulnerabilidade”.

Curso está disponível na plataforma da Escolagov

A capacitação permanece disponível na plataforma da Escolagov, em formato de ensino a distância (EAD) autoinstrucional. A modalidade permite ampliar o acesso dos militares da Capital e do interior à qualificação técnica e à atualização dos procedimentos operacionais.

A iniciativa busca integrar a padronização das condutas à formação profissional, fortalecendo a atuação do CBMMS tanto na resposta imediata às emergências quanto na proteção das vítimas e na continuidade da assistência.