Uso sem supervisão de canetas emagrecedoras pode causar perda muscular e deficiência de vitaminas, alerta SBEM
Endocrinologista recomenda acompanhamento multidisciplinar para evitar desnutrição, efeitos gastrointestinais e perda excessiva de massa muscular.

As chamadas canetas emagrecedoras podem ajudar no combate à obesidade, mas o uso sem acompanhamento adequado está associado à deficiência de vitaminas e à perda de massa muscular, segundo alerta da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). O risco aumenta quando o tratamento não é acompanhado por mudanças na alimentação e na prática de atividade física, explicou o endocrinologista Marcio Mancini, membro da SBEM e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), em entrevista em Brasília neste sábado (22).
Os medicamentos são da classe dos agonistas do receptor GLP-1 e têm como efeitos a redução do apetite e o atraso do esvaziamento do estômago. Segundo Mancini, isso pode levar os pacientes a reduzir drasticamente a ingestão de alimentos, resultando em consumo insuficiente de proteínas e vitaminas.
Prioridade deve ser a qualidade da alimentação
“Quando o tratamento é iniciado, é preciso dar prioridade à densidade nutricional. O foco principal não deve ser apenas reduzir o tamanho das porções, mas garantir que as pequenas refeições sejam ricas em nutrientes”, afirmou o médico.
Mancini sugere uma ingestão diária de aproximadamente 1,2 grama de proteína por quilo de peso para indivíduos jovens e saudáveis. Para idosos ou pessoas em risco de sarcopenia, a recomendação citada por ele é de 1,5 grama por quilo por dia. O objetivo é evitar que a perda de massa muscular ultrapasse 25% de todo o peso eliminado.
Entre as queixas mais comuns relacionadas ao uso sem supervisão estão queda e afinamento de cabelo, além de sintomas gastrointestinais persistentes, como náusea, constipação, flatulência e sensação de estufamento mais intensas que o normal.
Estratégias para reduzir efeitos colaterais
Para minimizar esses efeitos, o endocrinologista recomenda fracionar as refeições e consumir alimentos ricos em proteínas logo no início delas, quando a sensação de saciedade precoce tende a ser menos intensa. Ele também orienta evitar alimentos muito gordurosos, aumentar o consumo de fibras e manter a ingestão adequada de líquidos.
Entre os sinais de alerta estão a diminuição da força física ou da mobilidade no dia a dia, que pode indicar o desenvolvimento de sarcopenia, e alterações em exames laboratoriais, como redução dos níveis de vitamina D, potássio, magnésio, ferro e vitamina B12.
Outra situação que deve ser monitorada é a restrição alimentar excessiva, acompanhada da perda completa do prazer pela comida. De acordo com Mancini, esse quadro pode indicar que a dose do medicamento está elevada para o paciente.
Acompanhamento multidisciplinar
“Por isso, é importante o trabalho de uma equipe multidisciplinar, com orientação do endocrinologista, do nutricionista e do educador físico no tratamento”, concluiu o especialista.
A mentora de mulheres Amanda Vila Nova relatou ter obtido resultados positivos com o tratamento, que foi acompanhado por especialistas. Segundo ela, o processo levou a emagrecimento e melhora da qualidade de vida.
“Não tive queda de cabelo nem unha enfraquecida pelo fato de ser acompanhada e fazer a reposição de vitaminas de forma correta”, afirmou.
