SUS volta a aplicar duas doses de reforço da vacina contra a pólio em crianças de 4 anos a partir de agosto

Mudança vale para crianças de 4 anos e passa a exigir cinco doses da vacina inativada, incluindo duas de reforço.

Publicado em 22/06/2026 às 21:39 - do Idest - Em Saúde

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(Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

O Sistema Único de Saúde (SUS) voltará a aplicar duas doses de reforço da vacina contra a poliomielite em crianças de 4 anos a partir de 3 de agosto. Com a mudança, o esquema vacinal passa a ser feito exclusivamente com a vacina injetável, em cinco aplicações.

Como fica o esquema vacinal

O novo protocolo prevê três doses aos 2, 4 e 6 meses de idade, para proteção inicial, e duas doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos. Todas as aplicações serão feitas com a vacina inativada injetável.

A orientação vale para crianças menores de 5 anos que ainda não completaram as cinco doses. Nesses casos, os responsáveis devem levar a criança ao posto de saúde para verificar a necessidade de atualização da caderneta.

Por que houve a mudança

A alteração foi definida após reunião da Câmara Técnica Assessora em Imunizações e comunicada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em nota técnica divulgada na semana passada. Até 2024, o esquema incluía três doses da vacina inativada e duas dOses de reforço com a vacina oral, conhecida como gotinha.

O Ministério da Saúde passou a usar apenas a vacina injetável após considerar o risco, ainda que raro, de o vírus atenuado presente na vacina oral sofrer mutações e provocar a doença. Com a decisão mais recente, o reforço volta a ser aplicado aos 4 anos.

Proteção e risco da doença

Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai, as doses adicionais são necessárias porque a proteção da vacina diminui com o tempo. Ela afirma que o esquema com dois reforços segue o padrão recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ballalai também destaca que a vacina é indicada principalmente para menores de 5 anos, faixa etária com maior risco de desenvolver formas graves da doença. Em situações de surto, adultos também podem ser vacinados.

Brasil sem casos há 37 anos

O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos e recebeu, em 1994, o certificado de área livre de circulação do vírus. Apesar disso, o vírus ainda circula em alguns países, e a vacinação é a principal forma de prevenção.

Entre 1968 e 1989, o país registrou mais de 26 mil infecções por pólio. A doença costuma provocar sintomas leves, mas pode atingir o sistema nervoso central e causar paralisia e morte.