Sarampo: MS reforça alerta para vacinação após avanço de casos em outros países

Mato Grosso do Sul registra cobertura de 97,10% na primeira dose e 81,79% na segunda; Estado não tem casos confirmados da doença em 2026.

Publicado em 23/10/2026 às 10:50 - da Redação - Em Saúde

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(Bruno Rezende)

A circulação do sarampo em diferentes países reforça o alerta para a importância da vacinação em Mato Grosso do Sul. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) orienta a população a procurar uma unidade de saúde para conferir a caderneta de vacinação e completar o esquema vacinal, se necessário. Dados até 1º de setembro de 2026 apontam cobertura de 97,10% na primeira dose e de 81,79% na segunda.

Apesar de não registrar casos confirmados da doença neste ano, o Estado mantém ações de prevenção e vigilância diante do risco de reintrodução do vírus no Brasil. Até o momento, foram notificados 24 casos suspeitos em Mato Grosso do Sul, dos quais 23 foram descartados e um permanece em investigação.

Os últimos casos confirmados no Estado ocorreram em 2020, quando foram registrados dez casos em Campo Grande. Em 2019, foram quatro confirmações, sendo duas em Três Lagoas e duas na Capital.

Segunda dose exige atenção

A diferença entre os índices de cobertura vacinal reforça a necessidade de ampliar a aplicação da segunda dose, garantindo maior proteção da população contra o sarampo.

A coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, destaca que pais e responsáveis devem verificar a situação vacinal das crianças, mas ressalta que a recomendação também vale para adolescentes e adultos.

“É fundamental que pais e responsáveis verifiquem se as crianças receberam todas as doses recomendadas, mas essa atenção também deve se estender aos adolescentes e adultos. Quem não tem certeza sobre a situação vacinal deve procurar uma unidade de saúde para conferir os registros e receber a orientação necessária”, orienta.

O gerente de Imunização da SES, Frederico Moraes, também reforça a importância de completar o esquema vacinal.

“A primeira dose é uma etapa importante da proteção, mas é necessário verificar se a segunda também foi administrada, conforme a recomendação para cada faixa etária. Quanto maior a cobertura vacinal, mais pessoas estarão protegidas, reduzindo o risco de circulação do vírus e contribuindo para a proteção de toda a população”, afirma.

Estado amplia ações de vacinação e vigilância

Em setembro de 2026, a SES promoveu um treinamento presencial sobre o sarampo no auditório do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), em Campo Grande. A atividade reuniu representantes dos 79 municípios e abordou aspectos clínicos e epidemiológicos da doença, além de orientações para ampliar a vacinação.

Em outubro, a campanha de multivacinação intensificou a oferta de vacinas do calendário de rotina em todo o Estado. Durante a mobilização, foram aplicadas 84.439 doses, das quais aproximadamente 4.262 foram da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. O total considera a primeira e a segunda doses.

Segundo a SES, os dados ainda estão em processo de migração e devem ser disponibilizados na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) nos próximos dias.

Outra iniciativa prevista é a estratégia Aluno Imunizado, programada para ocorrer de 3 a 13 de novembro. A ação será realizada em escolas municipais, estaduais e privadas, com oferta de vacinação e emissão da Declaração de Vacinação Atualizada (DVA).

A proposta é ampliar o acesso à imunização no ambiente escolar e contribuir para a manutenção de coberturas vacinais elevadas e homogêneas contra o sarampo.

Vacinação é a principal ferramenta de prevenção contra doença.
Vacinação é a principal ferramenta de prevenção contra doença. (Foto: Divulgação/SES)

Vacinação também contempla territórios indígenas

As ações de prevenção incluem a população indígena. A Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde, publicou a Nota Técnica Conjunta nº 325/2026, com orientações para a aplicação da dose zero da vacina contra o sarampo em crianças indígenas de 6 a 11 meses e 29 dias nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

A estratégia está em andamento nos territórios abrangidos pelo DSEI Mato Grosso do Sul.

Também foi publicada a Nota Técnica nº 23/2026, que orienta os 34 DSEIs sobre o fortalecimento da vigilância epidemiológica, da imunização e das medidas de resposta ao risco de introdução do sarampo nos territórios indígenas.

Casos nas Américas reforçam preocupação

O avanço da doença em outros países mantém as autoridades de saúde em alerta. Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), os Estados Unidos registram quase 4 mil casos confirmados em 2026, o maior número anual em mais de 35 anos. Mais de 90% dos casos envolvem pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida.

Nas Américas, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram 99,5% dos casos confirmados neste ano, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

No Brasil, foram confirmados 61 casos importados ou relacionados à importação em 2026.

A vacinação é considerada a principal forma de prevenção contra o sarampo, doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar. A circulação internacional do vírus reforça a importância de manter a caderneta atualizada para reduzir o risco de novos casos.

Quem deve se vacinar contra o sarampo?

A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A recomendação varia conforme a idade e o histórico de vacinação:

  • Crianças: a primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, conforme o Calendário Nacional de Vacinação.
  • Pessoas de 1 a 29 anos: devem ter duas doses registradas da vacina contra o sarampo. Quem não tiver o esquema completo deve procurar uma unidade de saúde.
  • Pessoas de 30 a 59 anos: devem ter pelo menos uma dose registrada. Quem não tiver comprovação de vacinação deve buscar orientação em uma unidade de saúde.
  • Pessoas com 60 anos ou mais: não têm indicação de vacinação de rotina contra o sarampo pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Situações específicas podem ser avaliadas pelas autoridades de saúde.

A orientação é que adolescentes e adultos também confiram a situação vacinal, mesmo que tenham recebido doses na infância. A equipe de saúde poderá verificar os registros e indicar a necessidade de atualização conforme o histórico individual.

Febre e manchas na pele são sinais de alerta

O sarampo pode provocar complicações graves, como pneumonia e encefalite, além de levar à morte. Crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade estão entre os grupos que podem apresentar maior risco de complicações.

Pessoas com febre acompanhada de manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza ou conjuntivite devem procurar atendimento em uma unidade de saúde e informar sobre possíveis contatos com casos suspeitos ou viagens recentes.

A identificação oportuna dos sintomas é importante para a avaliação do quadro e a adoção das medidas de saúde necessárias.