Uma em cada três pessoas com diabetes pode desenvolver doença que ameaça a visão no Brasil

Retinopatia diabética pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais; diagnóstico precoce e acompanhamento oftalmológico ajudam a reduzir o risco de cegueira.

Publicado em 28/10/2026 às 17:38 - Agência Brasil - Em Saúde

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(Divulgação CBO)

Uma em cada três pessoas com diabetes no Brasil pode desenvolver retinopatia diabética em algum momento da vida. A doença é uma das principais causas de perda visual evitável entre adultos em idade produtiva, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Para conscientizar a população sobre prevenção, diagnóstico e tratamento, a entidade promoverá uma série de orientações durante a campanha 24 Dias pelo Diabetes, que começa no próximo domingo (1º) e segue até o fim de novembro.

Doença pode evoluir sem sintomas

A retinopatia diabética ocorre quando níveis elevados de açúcar no sangue, mantidos ao longo dos anos, danificam os pequenos vasos sanguíneos da retina, estrutura localizada no fundo do olho e responsável por captar a luz e enviar as imagens ao cérebro.

As alterações podem evoluir de forma silenciosa, sem provocar sintomas nas fases iniciais. Isso pode atrasar o diagnóstico e comprometer a visão antes que a pessoa perceba algum problema.

A presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, alertou para os impactos da doença na vida dos pacientes e na saúde pública.

“Estamos falando de uma doença que cega, mutila e tira muitas pessoas do mercado de trabalho”, afirmou.

Segundo ela, divulgar informações sobre a retinopatia diabética é uma responsabilidade social, considerando também os impactos da doença sobre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), as políticas públicas e a economia.

Diagnóstico precoce reduz risco de cegueira

Dados do CBO indicam que a retinopatia diabética atinge entre 24% e 39% das pessoas com diabetes no país. O risco aumenta conforme o tempo de convivência com a doença.

Após 20 anos, por exemplo, cerca de 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% daqueles com diabetes tipo 2 terão algum grau de retinopatia.

Com diagnóstico e tratamento precoces, o risco de cegueira pode cair para menos de 5%, de acordo com a entidade.

Por isso, a recomendação é que pessoas com diabetes realizem consultas regulares com um médico oftalmologista, mesmo quando não apresentam alterações na visão.

Exame de fundo de olho identifica alterações

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retinopatia Diabética, publicado pelo Ministério da Saúde, prevê a fundoscopia, conhecida popularmente como exame de fundo de olho, como um dos principais recursos para identificar a doença.

O procedimento permite observar a retina e os vasos sanguíneos, identificando possíveis alterações mesmo quando o paciente ainda enxerga normalmente. A avaliação pode incluir a dilatação das pupilas para facilitar a visualização das estruturas internas do olho.

O protocolo estabelece diferentes recomendações para o início do rastreamento:

  • Diabetes tipo 2: o exame deve ser realizado no momento do diagnóstico.
  • Adultos com diabetes tipo 1: o rastreamento deve começar cinco anos após o diagnóstico.
  • Crianças e adolescentes: o primeiro exame deve ser considerado até cinco anos após o início da doença ou no começo da puberdade.

A frequência das consultas varia conforme o quadro clínico. Para quem não apresenta retinopatia ou tem a forma leve da doença, o acompanhamento costuma ser anual. Nos casos moderados ou graves, as avaliações precisam ocorrer com maior frequência.

Mulheres com diabetes que estejam grávidas ou planejem engravidar também devem passar por avaliação oftalmológica. Durante a gestação, o exame deve ser realizado a cada trimestre e no primeiro ano após o parto.

Já mulheres com diabetes gestacional, caracterizado pelo aumento da glicose no sangue durante a gravidez, geralmente não precisam realizar a triagem específica para retinopatia diabética.

Controle da glicemia ajuda na prevenção

Além do acompanhamento médico, o CBO destaca que parte importante da prevenção ocorre no dia a dia. Manter a glicemia e a pressão arterial sob controle ajuda a reduzir o risco de desenvolvimento da doença e a retardar sua progressão.

Entre os cuidados recomendados estão:

  • Consumir alimentos ricos em fibras, como aveia, feijão, lentilha e arroz integral, além de verduras e legumes;
  • Reduzir o consumo de açúcar, sal, embutidos e alimentos ultraprocessados;
  • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
  • Manter um peso saudável;
  • Dormir bem;
  • Reservar momentos para lazer e descanso.

Como buscar atendimento pelo SUS

No Sistema Único de Saúde (SUS), o atendimento começa em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF). A partir desses serviços, o paciente pode ser encaminhado ao profissional especializado por meio da regulação municipal ou estadual.

Quem possui plano de saúde pode agendar uma consulta com um oftalmologista credenciado, conforme as regras do contrato. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) prevê cobertura para diversos exames e procedimentos oculares.

A presidente do CBO reforçou que o objetivo é ampliar o acesso aos exames e garantir o acompanhamento adequado das pessoas com diabetes, com a participação de médicos, endocrinologistas e oftalmologistas.