Pesquisa aponta que brasileiros reconhecem sinais de câncer colorretal, mas parte adia ida ao médico

Levantamento do Hospital A. C. Camargo e da Nexus ouviu mais de 2 mil pessoas e avaliou percepção sobre sintomas e exames preventivos.

Publicado em 20/07/2026 às 17:16 - do Idest - Em Saúde

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(Jo Panuwat D/ Adobe Stock)

A presença de sangue nas fezes e mudanças no funcionamento do intestino por mais de um mês estão entre os principais sinais do câncer colorretal e devem ser investigados o quanto antes. Apesar de a maioria dos brasileiros reconhecer a gravidade desses sintomas, quase metade ainda demora para buscar assistência médica, segundo levantamento divulgado pelo Hospital A. C. Camargo e pela Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas.

Sintomas são conhecidos, mas atendimento ainda é adiado

De acordo com a pesquisa, oito em cada dez entrevistados afirmaram ter consciência de que a presença de sangue nas fezes e alterações persistentes no funcionamento do intestino podem indicar um problema grave. Além disso, 67% concordam que esses sintomas podem estar relacionados ao câncer colorretal e outros 24% concordam fortemente com essa afirmação.

Mesmo assim, quase metade dos participantes não procura atendimento médico com rapidez ao identificar esses sinais.

O levantamento apontou ainda que 9% dos entrevistados já perceberam sangue nas fezes. Entre eles, 59% buscaram atendimento imediatamente, enquanto 40% adotaram outras atitudes antes de procurar um profissional de saúde.

Desse grupo:

  • 19% não fizeram nada e aguardaram o sintoma passar;
  • 10% esperaram dias ou semanas antes de procurar um médico;
  • 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação;
  • 3% buscaram medicação por conta própria em farmácias;
  • 1% pesquisou na internet antes de procurar orientação médica.

Exame preventivo ainda é pouco conhecido

A pesquisa também revelou baixo conhecimento sobre a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), exame considerado um dos principais recursos para identificar sinais da doença antes do aparecimento de sintomas evidentes.

Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados nunca ouviram falar do exame. Apenas 11% já realizaram o procedimento, enquanto 21% disseram conhecê-lo, mas nunca o fizeram.

O desconhecimento é ainda maior entre jovens de 16 a 24 anos, chegando a 85%. Os índices também superam a média entre homens (76%), pessoas de menor renda (73%) e entrevistados com escolaridade até o ensino fundamental (72%).

Outro dado mostra que apenas 21% dos participantes conhecem alguém que teve câncer colorretal — sendo 15% um parente próximo e 6% um amigo ou conhecido. Já 75% afirmaram nunca ter tido contato com pacientes diagnosticados com a doença.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, destacou que, diante do aumento dos casos da doença no Brasil, sintomas como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente não devem ser ignorados.

Segundo ele, também é importante realizar exames preventivos a partir dos 45 anos, ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.

"O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial", ressaltou Aguiar.

Doença é a segunda mais incidente no país

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil durante o triênio 2026-2028, tornando a doença o segundo tipo de câncer com maior incidência entre os brasileiros.

O câncer colorretal foi a doença que levou à morte a cantora Preta Gil, em julho do ano passado, após dois anos de tratamento.