Pesquisa aponta maior índice de tabagismo entre jovens brasileiros de 16 a 24 anos
Levantamento ouviu mais de 2 mil pessoas e identificou que 19% dos entrevistados de 16 a 24 anos se declaram fumantes.

Jovens brasileiros de 16 a 24 anos apresentam o maior índice de tabagismo entre as faixas etárias, segundo pesquisa do Instituto A.C. Camargo Câncer Center em parceria com a Nexus. Nessa faixa, 19% dos entrevistados disseram ser fumantes ativos de cigarros comuns ou eletrônicos, acima da média nacional e dos demais grupos etários. O levantamento ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país e foi divulgado nesta quarta-feira (26).
Primeiro contato ocorre, em média, aos 16 anos
De acordo com a pesquisa, a faixa de 25 a 40 anos tem o menor índice de tabagismo, com 15% dos entrevistados declarando-se fumantes. Na sequência aparecem os grupos com mais de 60 anos e de 41 a 59 anos.
Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo, afirmou que a incidência entre jovens de 16 a 24 anos exige atenção prioritária. Segundo ele, o primeiro contato com o cigarro ocorre, em média, aos 16 anos, o que aumenta o risco de dependência e de dificuldade para abandonar o hábito posteriormente.
Exposição à fumaça atinge cerca de um terço da população
A pesquisa também aponta que cerca de um terço da população brasileira compartilha frequentemente ambientes domésticos ou de trabalho com fumantes. A inalação passiva da fumaça aumenta as chances de desenvolvimento de câncer pulmonar, inclusive entre pessoas que nunca fumaram.
Entre as pessoas com mais de 60 anos, 32% são ex-fumantes, o maior índice entre os grupos analisados. Depois aparecem, nessa ordem, as faixas de 41 a 59 anos, de 25 a 40 anos e de 16 a 24 anos.
Consumo é maior no Sul
Entre as regiões brasileiras, o consumo de cigarro é maior no Sul, seguido por Sudeste, Nordeste e Norte/Centro-Oeste.
Os dados também relacionam o tabagismo a fatores socioeconômicos. Entre os entrevistados com renda de até um salário mínimo, 19% são fumantes. Já entre aqueles que concluíram apenas o ensino fundamental, o índice chega a 21%.
Fumantes relatam outros hábitos prejudiciais
O estudo indica ainda uma relação entre o tabagismo e outros comportamentos de risco. Entre os fumantes, 84% disseram manter até quatro hábitos prejudiciais à saúde no cotidiano, com destaque para o sedentarismo e o consumo excessivo de frituras e produtos ultraprocessados.
Entre as pessoas que nunca fumaram, 18% afirmaram não ter nenhum hábito prejudicial à saúde, o dobro do índice registrado entre os fumantes. Os ex-fumantes, por sua vez, lideram a categoria de pessoas com apenas um hábito prejudicial e apresentam índices baixos de múltiplos hábitos.
O levantamento também mostrou que 63% dos fumantes classificam a própria saúde como “ótima” ou “boa”. O índice supera o registrado entre pessoas que nunca fumaram, embora a diferença esteja dentro da margem de erro.
