MS mantém estabilidade na obesidade infantil e reforça ações de prevenção nas escolas e unidades de saúde
Dados apontam manutenção dos índices entre 2021 e 2025; Secretaria de Saúde destaca importância do acompanhamento nutricional e da alimentação saudável.

O Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, lembrado nesta quarta-feira (3), reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce para garantir o desenvolvimento saudável das crianças. Em Mato Grosso do Sul, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) indicam estabilidade nos índices de obesidade infantil nos últimos anos, cenário que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) atribui ao fortalecimento de ações de promoção da alimentação saudável, incentivo à atividade física e monitoramento nutricional.
Associada à alimentação inadequada, ao sedentarismo e ao aumento do tempo dedicado às telas, a obesidade infantil é considerada um fator de risco para doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, além de impactar a qualidade de vida das crianças.
Acompanhamento é fundamental para prevenção
Segundo a SES, o primeiro passo para identificar e prevenir a obesidade infantil é o acompanhamento regular do crescimento e desenvolvimento nas unidades básicas de saúde.
Por meio da avaliação de peso e altura, os profissionais conseguem identificar o estado nutricional da criança e monitorar possíveis alterações ao longo do tempo. As informações são registradas na Caderneta da Criança e permitem acompanhar a curva de crescimento, considerada uma ferramenta importante para detectar precocemente situações de sobrepeso e obesidade.
De acordo com o gerente de Alimentação e Nutrição da SES, Anderson Holsbach, a participação da família é essencial nesse processo.
“A família tem papel fundamental nesse processo. Ao levar regularmente a criança à unidade de saúde, é possível monitorar seu crescimento e desenvolvimento e identificar precocemente qualquer alteração no estado nutricional. Quanto mais cedo ocorre essa identificação, maiores são as possibilidades de promover mudanças que favoreçam a saúde da criança”, explica.
Mudanças nos hábitos influenciam aumento do problema
Entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento da obesidade infantil estão as mudanças no estilo de vida observadas nas últimas décadas.
Se antes as brincadeiras ao ar livre e as atividades físicas faziam parte da rotina das crianças, atualmente o tempo dedicado às telas ocupa uma parcela significativa do dia.
Outro fator apontado pela SES é o consumo crescente de alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e bebidas açucaradas, produtos que apresentam alta densidade calórica e baixo valor nutricional.
“Vivemos em um ambiente que muitas vezes dificulta escolhas saudáveis. Temos o aumento do acesso aos alimentos ultraprocessados, o encarecimento dos alimentos in natura e minimamente processados, além de comportamentos cada vez mais sedentários. São fatores que compõem o chamado ambiente obesogênico, que favorece o desenvolvimento da obesidade”, destaca Holsbach.
O conceito de ambiente obesogênico também inclui situações como a baixa oferta de alimentos saudáveis em determinadas regiões e a redução de espaços destinados à prática de atividades físicas.
Hábitos saudáveis devem começar na infância
A prevenção da obesidade infantil começa nos primeiros anos de vida. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos recomenda que não seja ofertado açúcar nessa faixa etária.
Além disso, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado de forma complementar até os dois anos ou mais é considerado um importante fator de proteção contra a obesidade.
Segundo Anderson Holsbach, os hábitos familiares exercem influência direta sobre as escolhas alimentares das crianças.
“A criança aprende observando. Quando a família consome frutas, verduras e legumes regularmente, prepara as refeições em casa e valoriza os alimentos in natura, ela contribui para a formação de hábitos mais saudáveis. Incluir as crianças no preparo dos alimentos também fortalece essa relação positiva com a alimentação”, afirma.
Dados apontam estabilidade dos índices
Entre as crianças de 0 a 5 anos acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde, os índices de obesidade permaneceram estáveis entre 2021 e 2025, com média de 4,92% no período.
Os percentuais registrados foram de 5,90% em 2021, 4,75% em 2022, 4,67% em 2023, 4,50% em 2024 e 4,77% em 2025.
Na faixa etária de 5 a 10 anos, também houve estabilidade, com leve redução da obesidade, que passou de 9,49% em 2021 para 9,04% em 2025.
Já os casos de obesidade grave diminuíram de 5,76% para 5,37% no mesmo período.
Apesar da estabilidade dos números, a SES ressalta que o monitoramento permanente continua sendo essencial para evitar o avanço da doença e promover melhores condições de saúde para a população infantil.
Estado reforça ações de promoção da saúde
A obesidade infantil integra os temas prioritários trabalhados pela Secretaria de Estado de Saúde dentro do Programa Saúde na Escola (PSE), especialmente nas ações de incentivo à alimentação saudável e à prática de atividades físicas.
A SES também atua por meio da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN), desenvolve ações de Educação Permanente em Saúde para profissionais dos municípios, fortalece a Vigilância Alimentar e Nutricional e apoia a implementação da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB).
Segundo a Secretaria, essas iniciativas contribuem para a construção de hábitos saudáveis desde a infância e para a prevenção da obesidade infantil em Mato Grosso do Sul.
