Ministério da Saúde suspende temporariamente vacina contra dengue do Butantan após registros de eventos adversos

A decisão vale apenas para o imunizante do Instituto Butantan; casos com sintomas mais severos serão analisados por especialistas.

Publicado em 08/06/2026 às 19:22 - do Idest - Em Saúde

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(Divulgação Instituto Butantan)

O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente, nesta segunda-feira (8), a vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, após registrar 42 casos de eventos adversos, três internações e dois óbitos entre pessoas vacinadas.

Investigação e precaução

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ainda não é possível afirmar que os eventos adversos foram causados pela vacina, mas os registros representam um sinal de alerta e serão investigados por um comitê de especialistas. A decisão, afirmou, tem caráter de precaução.

Padilha disse que a análise será feita pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Butantan, com foco em possíveis fatores de risco entre os casos notificados. Ele destacou que o ministério mantém confiança na capacidade institucional do instituto.

Aplicação limitada ao imunizante do Butantan

A suspensão vale apenas para a vacina produzida pelo Butantan e não inclui a Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda e aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS). Até 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan haviam sido aplicadas no país.

O imunizante foi incorporado ao SUS em janeiro deste ano. Na ocasião, o Ministério da Saúde adotou uma estratégia de vacinação para avaliar o impacto da vacina na dinâmica populacional da dengue.

Estratégia de vacinação no país

Como parte dessa estratégia, a vacinação passou a ser feita em três municípios-piloto: Botucatu, Maranguape e Nova Lima. Nessas localidades, o público-alvo é formado por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, faixa etária indicada para o Programa Nacional de Imunizações.

Em março, também houve uma ação de vacinação na região de Araguaína. Em fevereiro, o SUS passou a vacinar contra a dengue profissionais de saúde da atenção primária, com previsão de imunizar 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente.

Benefício da vacina continua válido

O Ministério da Saúde informou que a suspensão da estratégia de vacinação não invalida a eficácia da vacina. Segundo a pasta, as pessoas já vacinadas seguem com o benefício de proteção contra a dengue, enquanto estudos adicionais buscam identificar eventuais fatores de risco.