Hospital Regional de MS cria serviço de cuidados paliativos e destina dez leitos a pacientes com doenças graves

Nova estrutura oferece acompanhamento especializado, controle da dor e apoio aos familiares; desde junho, metade dos pacientes atendidos recebeu alta hospitalar.

Publicado em 05/11/2026 às 14:53 - da Redação - Em Saúde

Equipe multidisciplinar oferece cuidado físico, emocional e social, inclusive a crianças, desde o diagnóstico da doença.
Equipe multidisciplinar oferece cuidado físico, emocional e social, inclusive a crianças, desde o diagnóstico da doença. (Patrícia Belarmino)

O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) criou neste ano o Serviço de Cuidados Paliativos e destinou dez leitos para pacientes com doenças graves que necessitam de acompanhamento especializado. A iniciativa amplia a estrutura de atendimento da unidade, com foco no alívio do sofrimento, no controle de sintomas e na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares.

O serviço atende pacientes que já estão internados no hospital e são encaminhados pelas equipes assistenciais, após avaliação da especialidade. A estrutura também acompanha crianças e conta com quatro médicas paliativistas e uma enfermeira, que atuam em conjunto com equipes multiprofissionais.

Cuidados paliativos vão além do fim da vida

A médica paliativista Fabiana Moreno, chefe do serviço, explica que ainda existe uma associação equivocada entre cuidados paliativos e os momentos finais da vida. Segundo ela, o acompanhamento pode começar em qualquer fase de uma doença grave, inclusive no momento do diagnóstico.

“O cuidado paliativo não é só para quem está morrendo. É para quem tem uma doença grave e tem ainda uma vida pela frente”, resume.

Entre as condições que podem exigir esse acompanhamento estão insuficiência cardíaca, insuficiência renal, demência e câncer. Nesses casos, os cuidados paliativos podem ser oferecidos simultaneamente ao tratamento principal, com acompanhamento clínico, apoio psicológico e suporte social aos familiares.

O trabalho considera diferentes dimensões do sofrimento, incluindo aspectos físicos, emocionais, familiares e espirituais.

“O cuidado paliativo parte do princípio de que o sofrimento não é só físico. Ele é psicoemocional, sociofamiliar e espiritual. Quando uma pessoa que a gente ama adoece, todo mundo adoece junto. Então, a gente precisa ter esse olhar para a família, para os amigos e também para a parte espiritual, porque somos corpo, mente e espírito”, destaca Fabiana.

Pacientes relatam melhora no controle da dor

Uma das pacientes acompanhadas pelo serviço é Maria de Lourdes Souza, de 53 anos, que enfrenta um câncer desde 2023 e passou a receber cuidados paliativos há três meses.

Seu filho, o motorista de aplicativo Jackson de Souza Ferreira, de 30 anos, conta que a família inicialmente ficou assustada ao ouvir a expressão cuidados paliativos durante uma internação da mãe.

“No começo, ouvir a palavra paliativo foi assustador. A gente entrou em choque. Quando começou o tratamento, a gente entendeu que era um recomeço”, relata.

Equipe multidisciplinar do HRMS atende pacientes para um novo recomeço.
Equipe multidisciplinar do HRMS atende pacientes para um novo recomeço. (Foto: Patrícia Belarmino)

Maria de Lourdes também conta que, inicialmente, acreditou que a transferência para um leito de cuidados paliativos significava que estava próxima da morte. Com o acompanhamento, porém, percebeu mudanças no tratamento e na qualidade de vida.

“Mas fez muita diferença para mim. Sinto menos dor, os medicamentos mudaram e o cuidado dos médicos ajuda muito. Fiquei com medo, mas fui entendendo e vi que eles estão lutando com a gente, buscando outros medicamentos para diminuir a dor”, afirma.

Metade dos pacientes recebeu alta desde junho

Desde junho, metade dos pacientes atendidos pelo serviço recebeu alta hospitalar e retornou para casa.

Após a alta, os pacientes que residem na área de abrangência do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) continuam sendo acompanhados em suas residências. Aqueles que moram fora dessa área retornam ao hospital para atendimento ambulatorial.

A equipe especializada é formada por quatro médicas paliativistas e uma enfermeira, que trabalham em conjunto com profissionais dos setores envolvidos, incluindo enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais.

MS amplia política de cuidados paliativos

A criação do serviço no HRMS integra as iniciativas de ampliação dos cuidados paliativos em Mato Grosso do Sul. Neste ano, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) também criou o Núcleo Estadual de Cuidados Paliativos, responsável por coordenar a implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos no Estado, instituída pelo Ministério da Saúde em 2024.

Para a diretora-presidente da Fundação Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul (Funsau), Marielle Alves Corrêa Esgalha, responsável pela administração do HRMS, a destinação dos leitos e a criação do serviço representam o compromisso do hospital com o acolhimento e a assistência aos pacientes em diferentes fases da vida.

“Nossa missão é cuidar do paciente independentemente da fase da vida em que ele está. Nós sabemos o quanto o cuidado e o acolhimento fazem a diferença, e isso foi determinante para criarmos o serviço. Mais do que uma meta, é um compromisso com o cuidado do nosso paciente”, afirma.

A chefe do serviço, Fabiana Moreno, resume a proposta do atendimento: “O alívio do sofrimento é possível. Se tiver tratamento, a gente vai junto. Se não tiver, a gente fica”.