Estudo identifica bactérias do gênero Flavobacterium em peixes cultivados no Brasil e aponta risco à produção aquícola
Pesquisa publicada na revista Microbial Pathogenesis identificou espécies de Flavobacterium em criações de tilápia e peixes nativos, sem evidência de transmissão a humanos.

Um estudo publicado na revista científica Microbial Pathogenesis identificou, pela primeira vez no Brasil, diferentes espécies de bactérias do gênero Flavobacterium em peixes cultivados para consumo humano. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Zambeze, em Moçambique, também não encontrou, até o momento, evidências de transmissão da doença a seres humanos. O trabalho foi divulgado nesta terça-feira (14).
Doença afeta peixes de criação
A bactéria está associada à columnariose, doença considerada grave entre peixes de cultivo. Segundo o estudo, a infecção provoca lesões na pele e nas nadadeiras, destrói as brânquias e pode levar à morte dos animais em poucos dias, especialmente os mais jovens.
Os pesquisadores identificaram as bactérias em tilápias e em espécies nativas criadas para alimentação, como tambaqui, pacu, lambari e pintado-da-amazônia. As amostras analisadas foram coletadas entre 2018 e 2024 em criações desses peixes no país.
Identificação em laboratório
De acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que financiou a bolsa que originou o estudo, os microrganismos foram identificados por meio de isolamento em laboratório e análises microbiológicas das colônias bacterianas.
Os resultados mostraram que várias dessas bactérias tiveram a proliferação favorecida em temperaturas próximas de 28°C, condição comum em algumas regiões do país. Nessa faixa, o microrganismo apresentou elevada capacidade de formar biofilmes, estruturas protetoras que aumentam sua sobrevivência em equipamentos e instalações de criação.
Impacto na produção aquícola
Segundo o estudo, o alerta está relacionado à saúde dos peixes e à sustentabilidade da produção aquícola. Os autores destacam a necessidade de vigilância epidemiológica, medidas de biossegurança e desenvolvimento de vacinas para reduzir o impacto desses patógenos sobre a produção de pescado no Brasil.
Até o momento, os pesquisadores afirmam que não há evidências de transmissão direta da bactéria para seres humanos.
