Estudo aponta subdiagnóstico da doença renal crônica no Brasil e alerta para exames pouco solicitados
Pesquisa com mais de 14 mil pessoas mostra baixa solicitação de exames essenciais para detectar precocemente a doença renal crônica.

Mais de 20 milhões de brasileiros têm doença renal crônica (DRC), mas um estudo indica que a baixa solicitação de exames pode esconder parte dos casos, especialmente entre pessoas com diabetes e hipertensão. A pesquisa avaliou mais de 14 mil participantes e constatou que os testes de creatinina no sangue e de proteína na urina raramente são pedidos na prática clínica. Os resultados foram publicados no Brazilian Journal of Nephrology na quarta-feira (12).
Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) apontam que a DRC atinge cerca de 10% da população brasileira. Desse total, mais de 170 mil pessoas dependem de terapia renal substitutiva, segundo o Censo Brasileiro de Diálise 2024.
Exames essenciais são pouco solicitados
O levantamento foi realizado em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e teve como objetivo dimensionar o subdiagnóstico da doença entre pacientes de alto risco. Diabetes e hipertensão estão entre as condições associadas ao maior risco de desenvolvimento da DRC.
Os pesquisadores analisaram a frequência com que dois exames diagnósticos principais eram realizados: a dosagem de creatinina no sangue e o teste de proteína na urina. Menos de 5% dos participantes que fizeram o exame de creatinina também tiveram a albuminúria solicitada. Mesmo após uma campanha nacional de rastreamento, o índice permaneceu abaixo de 7%.
Diagnóstico precoce pode retardar diálise
Segundo o estudo, a baixa realização dos exames faz com que muitos casos não sejam identificados no início, dificultando a adoção de medidas para proteger os rins e impedir o avanço da doença. Nos estágios iniciais, a DRC não costuma apresentar sintomas, o que pode inviabilizar o diagnóstico em tempo adequado.
A Organização Mundial da Saúde projeta que a DRC será a quinta principal causa de morte no mundo até 2040. A identificação precoce pode preservar a função renal, reduzir complicações cardiovasculares e melhorar a qualidade e a expectativa de vida, além de retardar ou até evitar a necessidade de diálise.
Fatores de risco e prevenção
Publicada no Brazilian Journal of Nephrology, a pesquisa contou com especialistas ligados à Universidade Estadual de Campinas, à Escola Bahiana de Medicina, à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ao Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e à Arbor Research Collaborative for Health.
De acordo com o Ministério da Saúde (MS), os principais fatores de risco para a DRC são diabetes, hipertensão, idade avançada, obesidade, histórico de doenças do aparelho circulatório — como doença coronariana, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica e insuficiência cardíaca —, histórico familiar de DRC, tabagismo e uso de agentes nefrotóxicos, especialmente medicamentos que exigem ajustes em pessoas com alteração da função renal.
Segundo o MS, a prevenção está diretamente relacionada ao estilo e às condições de vida. O tratamento e o controle de diabetes, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares e tabagismo são apontados como as principais formas de prevenir doenças renais.
