Baixa visão na infância: especialista alerta para diagnóstico precoce

Oftalmologista alerta que alterações visuais podem comprometer aprendizagem, comunicação, autonomia e interação da criança.

Publicado em 11/09/2026 às 13:51 - do Idest - Em Saúde

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(Bruno Peres/Agência Brasil)

A visão na infância tem papel importante no desenvolvimento global da criança, envolvendo aspectos motores, cognitivos, de comunicação e sociais. A perda visual precoce pode interferir não apenas no aprendizado escolar, mas em diferentes etapas do desenvolvimento, e a intervenção quanto mais cedo ocorrer pode ampliar as possibilidades de aproveitamento da chamada visão residual.

O alerta foi feito pela oftalmologista Maria de Fátima Neri, que participa, em Salvador, do 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que termina neste sábado (12).

Segundo a especialista, a baixa visão na infância não deve ser entendida apenas como uma redução da acuidade visual. A condição pode afetar a forma como a criança percebe e explora o ambiente, além de interferir no desenvolvimento motor, na aprendizagem, na comunicação, na autonomia e na participação social.

“A baixa visão pode comprometer a percepção visual, a exploração do ambiente, o desenvolvimento motor, a aprendizagem, a comunicação, a autonomia e a participação dessa criança no mundo”, afirmou Maria de Fátima. “Precisamos avaliar e entender o que a criança faz com o resíduo visual que tem.”

Principais causas

Entre as principais causas de baixa visão na infância, a oftalmologista cita:

  • Retinopatias causadas por infecções por sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus;
  • Catarata congênita;
  • Glaucoma congênito;
  • Anomalias do nervo óptico;
  • Albinismo;
  • Distrofias hereditárias da retina;
  • Alta miopia;
  • Doenças neurológicas;
  • Deficiência visual cortical ou cerebral;
  • Prematuridade.

Além do diagnóstico, a avaliação deve considerar as funções visuais da criança, incluindo a acuidade visual, e como a condição interfere nas atividades cotidianas.

Família ajuda a identificar dificuldades

A participação dos pais também é considerada importante durante a avaliação. Entre as questões que podem ajudar a identificar as dificuldades estão se a criança reconhece rostos, localiza objetos, brinca com autonomia, como se comporta em diferentes condições de iluminação e quais atividades deixou de realizar por causa da baixa visão.

Alguns sinais também podem servir de alerta:

  • Não acompanhar objetos com os olhos;
  • Não fixar o olhar ou apresentar pouca fixação;
  • Aproximar excessivamente objetos dos olhos;
  • Esbarrar ou tropeçar com frequência;
  • Apresentar dificuldade em ambientes pouco iluminados;
  • Ter fotofobia ou buscar intensamente fontes de luz;
  • Demonstrar dificuldade para reconhecer pessoas e objetos;
  • Apresentar atraso no desenvolvimento sem causa definida.

Habilitação envolve diferentes áreas

O trabalho de habilitação pode envolver estimulação visual funcional, recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva, orientação e mobilidade, além de áreas como terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e pedagogia.

A orientação familiar também faz parte desse processo.

“O desenvolvimento visual está relacionado ao visual, mas também ao motor, ao cognitivo, à linguagem e à interação. A visão participa da construção de toda a experiência da criança. Por isso, alterações visuais importantes e não reconhecidas podem repercutir no desenvolvimento global dela”, avaliou a oftalmologista.

Segundo Maria de Fátima, o encaminhamento precoce de crianças com baixa visão vai além do tratamento da própria visão, contribuindo para preservar o desenvolvimento, a autonomia e as perspectivas futuras.