Oftalmologista: veja com que frequência cada faixa etária deve fazer exames de visão

Conselho Brasileiro de Oftalmologia reforça importância das consultas periódicas e orienta acompanhamento mais frequente para grupos de risco.

Publicado em 10/09/2026 às 21:22 - do Idest - Em Saúde

Imagem da notícia
(Divulgação CBO)

A frequência das consultas com o oftalmologista varia de acordo com a idade e as condições de saúde de cada pessoa. As orientações fazem parte de um documento lançado nesta quinta-feira (10) pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), durante o 70º Congresso da especialidade, realizado em Salvador.

Segundo a entidade, a consulta periódica é um cuidado essencial para a saúde ocular, pois permite identificar precocemente doenças que podem evoluir sem sintomas e provocar perda visual irreversível.

Os intervalos indicados são referências mínimas para pessoas sem doença ocular diagnosticada e sem fatores de risco. Quando há alguma condição específica, o oftalmologista pode determinar um acompanhamento mais frequente.

Frequência varia conforme a idade

O CBO apresenta as seguintes recomendações:

  • Recém-nascidos: devem realizar o teste do reflexo vermelho nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta da maternidade. Se houver alteração, o bebê deve ser encaminhado com urgência ao especialista.
  • De 0 a 36 meses: o teste do reflexo vermelho deve ser repetido nas consultas médicas, pelo menos três vezes ao ano durante os três primeiros anos, com avaliação do desenvolvimento visual, fixação e alinhamento ocular.
  • De 6 a 12 meses: primeira consulta oftalmológica completa, para identificar e tratar precocemente alterações no desenvolvimento visual.
  • De 3 a 5 anos: pelo menos uma consulta oftalmológica completa, preferencialmente antes da alfabetização.
  • Idade escolar e adolescência, até 18 anos: reavaliações periódicas e uma avaliação oftalmológica completa entre 12 e 18 anos. Esse período apresenta maior surgimento e crescimento da miopia entre estudantes.
  • Adultos até 39 anos: avaliação periódica, mesmo na ausência de sintomas, já que doenças relevantes podem surgir sem sinais aparentes.
  • A partir dos 40 anos: consulta anual. Nessa faixa aumenta, por exemplo, a prevalência do glaucoma e da presbiopia, conhecida como vista cansada.
  • Idosos: acompanhamento anual, no mínimo, com atenção para condições como catarata senil e glaucoma.

Diabetes exige acompanhamento especial

Pessoas com diabetes precisam de atenção especial. Conforme o documento, cerca de 50% dos pacientes desenvolvem algum grau de retinopatia diabética, proporção que chega a aproximadamente 80% após 25 anos de doença.

A recomendação é realizar avaliação com as pupilas dilatadas desde o diagnóstico do diabetes e manter acompanhamento regular, mesmo quando não há queixas relacionadas à visão. Gestantes com diabetes devem ter acompanhamento específico.

Outros fatores aumentam os riscos

O histórico familiar também deve ser considerado. Pessoas com parentes de primeiro grau com glaucoma apresentam entre quatro e oito vezes mais chances de desenvolver a doença.

O CBO também recomenda acompanhamento específico para pessoas com histórico familiar de doenças oculares, miopia elevada, prematuridade, uso prolongado ou recorrente de corticoides e usuários de lentes de contato.

No caso das crianças míopes, a recomendação é de acompanhamento a cada 12 meses e, nos casos não controlados, a cada seis meses.

Usuários de lentes de contato devem passar por acompanhamento pelo menos uma vez ao ano, ou em intervalo menor quando houver suspeita de alterações na córnea, mudança refracional ou redução da acuidade visual.

O documento também aponta a necessidade de vigilância em pessoas com hipertensão arterial, doenças reumatológicas e autoimunes e que utilizam medicamentos com potencial de toxicidade ocular. O tabagismo é apontado como fator de risco para degeneração macular, dependendo da idade.

Cuidados começam ainda na maternidade

O CBO defende que o acompanhamento da saúde ocular comece ainda na maternidade. O teste do reflexo vermelho pode identificar alterações como catarata e glaucoma congênitos, opacidades de córnea, tumores intraoculares, inflamações importantes e hemorragias intravítreas.

Nos primeiros anos de vida, também devem ser acompanhados os marcos do desenvolvimento visual, a fixação e o alinhamento dos olhos.

Segundo o documento, erros de refração não corrigidos são a principal causa de deficiência visual entre crianças brasileiras e podem impactar o rendimento escolar e a socialização.

A ambliopia, conhecida popularmente como “olho preguiçoso”, pode ser prevenida por meio do exame oftalmológico realizado até os 3 anos.

Diagnóstico precoce pode evitar perda visual

De acordo com o CBO, grande parte das causas de cegueira e deficiência visual pode ser evitada ou tratada quando identificada precocemente.

Entre as principais causas de cegueira no Brasil estão catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular, condições que atingem principalmente a população idosa.

O conselho estima que cerca de 1,5 milhão de pessoas sejam cegas no Brasil, número que tende a crescer com o envelhecimento da população.