Novembro Bordô alerta para diagnóstico precoce do câncer de boca e mobiliza profissionais em MS
Campanha foi aberta nesta quarta-feira (4), em Campo Grande, e reforça a importância das consultas odontológicas regulares e da identificação de sinais suspeitos da doença.

O diagnóstico precoce do câncer de boca é fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir os impactos do tratamento. Com esse objetivo, a campanha Novembro Bordô foi aberta nesta quarta-feira (4), na sede da Associação Brasileira de Odontologia de Mato Grosso do Sul (ABO-MS), em Campo Grande, reunindo profissionais de saúde e estudantes de Odontologia em uma mobilização pela prevenção e identificação dos sinais da doença.
O câncer de boca é o sétimo tipo de câncer mais frequente no Brasil e atinge principalmente homens com mais de 40 anos. Um dos dados que preocupam as autoridades de saúde é que cerca de 80% dos diagnósticos no país ocorrem em estágios avançados, quando o tratamento pode exigir cirurgias extensas e comprometer a qualidade de vida dos pacientes.
Diagnóstico começa na Atenção Primária
Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) desenvolve, desde 2023, a Linha de Cuidado do Câncer de Boca, estratégia que busca capacitar e sensibilizar profissionais de saúde bucal, incentivar o diagnóstico precoce e organizar os fluxos de encaminhamento dos pacientes na rede de atendimento.
O coordenador de Saúde Bucal da SES, Lucas Moura, destaca que a avaliação profissional é essencial, já que a doença nem sempre apresenta sintomas perceptíveis ao paciente. Por isso, as consultas odontológicas de rotina devem incluir a avaliação de toda a cavidade bucal.
“O câncer de boca é silencioso e muitas vezes não dói. Por isso, a atuação do profissional de saúde na detecção é importantíssima. A população deve procurar os serviços de saúde regularmente, não apenas quando sente dor ou percebe algum problema”, destaca Lucas.
A estratégia estadual também conta com o TeleEstomato/MS, ferramenta que permite aos dentistas da Atenção Primária encaminhar fotografias de lesões suspeitas para avaliação de especialistas. Com base na orientação recebida, o profissional pode definir a conduta clínica e a necessidade de encaminhamento.
Quando há suspeita da doença, o paciente pode ser direcionado ao Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), onde é realizada a investigação, incluindo a biópsia. Nos casos confirmados que necessitam de intervenção hospitalar, o atendimento segue para os serviços especializados.
Feridas que não cicatrizam exigem atenção
O coordenador-geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Edson Lucena, ressalta que é importante identificar pessoas mais expostas aos fatores de risco e garantir o acompanhamento pelas equipes de saúde.
Segundo ele, a atuação dos dentistas nas unidades básicas deve ir além do atendimento aos pacientes que procuram espontaneamente os serviços. A recomendação é examinar toda a boca durante consultas de rotina, inclusive em procedimentos como aplicação de flúor, restaurações e extrações.
“Feridas ou caroços que não desaparecem em até 15 dias são sinais de alerta. Quando conseguimos identificar o problema ainda no início, a possibilidade de cura é muito maior e evitamos mutilações que comprometem a vida dessas pessoas”, afirma Edson.
Entre os sinais que merecem avaliação estão feridas persistentes, manchas vermelhas ou brancas, ardência e caroços na boca. A orientação é procurar uma unidade de saúde diante de qualquer alteração que permaneça por mais de 15 dias.
Para prevenção e acompanhamento, a recomendação é manter consultas odontológicas regulares, preferencialmente a cada seis meses.
Mobilização envolve instituições e profissionais
A presidente do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso do Sul (CRO-MS), Silvânia Silvestre, destaca a importância da união entre instituições, profissionais e universidades para ampliar o acesso à informação e estimular a população a procurar atendimento odontológico.
Apesar das ações de orientação e prevenção, a incidência da doença ainda preocupa no Estado. Para Silvânia, identificar o câncer em estágio inicial é determinante para aumentar as chances de cura e reduzir os impactos do tratamento.
“Quando conseguimos fazer o diagnóstico no início, temos mais de 90% de possibilidade de cura. É por isso que realizamos tantos trabalhos de orientação e prevenção”, ressalta.
A prevenção também envolve a redução de fatores de risco, como tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas, além da proteção contra a exposição solar excessiva. O acompanhamento odontológico regular e a procura por atendimento diante de alterações persistentes são medidas importantes para favorecer a identificação precoce da doença.
