Diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas amplia chances de tratamento e qualidade de vida no país

No Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, especialista destaca sinais, tratamento e acompanhamento pelo SUS.

Publicado em 12/06/2026 às 13:37 - do Idest - Em Saúde

Imagem da notícia
(Visoot/ Adobe Stock)

Cerca de 30 mil crianças nascem por ano no Brasil com algum tipo de cardiopatia congênita, segundo o Ministério da Saúde. No Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, celebrado nesta sexta-feira (12), a coordenadora da Divisão de Cardiologia da Criança e do Adolescente do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), Renata Mattos, afirmou que o acesso ao diagnóstico tem aumentado no país, o que pode ampliar as chances de tratamento e de qualidade de vida.

Diagnóstico e tratamento

A cardiopatia congênita reúne diferentes malformações do coração que surgem ainda durante a formação do bebê na gestação. De acordo com a cardiologista pediátrica, o quadro pode variar em gravidade e, em parte dos casos, exige atenção logo na primeira infância.

Renata Mattos explicou que, quando o problema é identificado ainda na gestação, o principal objetivo é organizar o parto e o atendimento após o nascimento. Em alguns casos, isso permite programar o parto em local com unidade de terapia intensiva e estrutura para cirurgia ou cateterismo, caso o bebê precise de intervenção imediata.

Sinais de alerta

Quando a cardiopatia grave não é detectada ao nascer, os sinais de alerta incluem dificuldade para ganhar peso, cansaço para mamar, respiração acelerada, arroxeamento nos lábios e na ponta do nariz, além de dor no peito ou palpitações em crianças maiores.

A médica orienta que, durante o acompanhamento pediátrico, a família observe se a criança cresce dentro da curva esperada. Segundo ela, a dificuldade importante de ganho de peso deve ser investigada, assim como alterações no padrão de alimentação e respiração.

Vida com acompanhamento

A especialista afirma que muitas cardiopatias congênitas podem ser corrigidas com um único procedimento, enquanto outras exigem cirurgias ao longo da vida. Segundo ela, com diagnóstico adequado e acompanhamento especializado, a possibilidade de uma vida normal é ampla.

Renata Mattos também destacou que os pacientes têm sobrevivido mais, estudado, trabalhado e mantido rotina com acompanhamento médico. Ela afirmou ainda que, ao contrário do que se pensava no passado, esses pacientes podem ser estimulados a praticar exercícios, conforme avaliação clínica.

História de paciente e rede pública

Diagnosticado com cardiopatia congênita grave ao nascer, Nathan Senna Alves passou por três cirurgias ao longo da vida e segue em acompanhamento na Policlínica Piquet Carneiro, vinculada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ele contou que começou a ser tratado ainda bebê na Pró Criança Cardíaca, instituição que atende crianças com esse problema há 30 anos.

Segundo a cardiologista pediátrica Rosa Célia, criadora do projeto, casos como o de Nathan mostram a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento. A instituição informou que, em três décadas, atendeu mais de 16 mil crianças e adolescentes e realizou 130 mil atendimentos.

Atendimento pelo SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acompanhamento integral às crianças com cardiopatia congênita, do ecocardiograma no pré-natal às cirurgias de alta complexidade.

Entre os instrumentos de prevenção e detecção citados estão o ecocardiograma fetal, recomendado pelo Ministério da Saúde entre a 24ª e a 28ª semana de gestação; o teste do coraçãozinho, feito na maternidade entre 24 e 48 horas de vida; e a linha de cuidado do SUS, que encaminha os pacientes para a rede especializada quando há diagnóstico.