Crianças são mais vulneráveis a picadas de escorpião e exigem atendimento rápido, alerta pediatra

Especialista explica que menor massa corporal aumenta os riscos de envenenamento grave e reforça a importância da aplicação precoce do soro.

Publicado em 08/07/2026 às 13:48 - do Idest - Em Saúde

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(Canalsaude.Fiocruz)

A morte da menina Valentina Nobre Lima, de 11 anos, após ser picada por um escorpião no Distrito Federal, reforça o alerta sobre a vulnerabilidade das crianças aos acidentes com animais peçonhentos. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a menor massa corporal faz com que o veneno tenha efeitos mais intensos, aumentando o risco de complicações graves e tornando o atendimento rápido essencial.

Crianças correm maior risco de complicações

No Brasil, existem mais de 170 espécies de escorpiões, sendo o escorpião-amarelo o responsável pelos acidentes mais graves. A espécie tem ampla distribuição em todas as macrorregiões do país.

De acordo com a pediatra Joelma Gonçalves Martin, especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria, a mesma quantidade de veneno inoculada em um adulto provoca efeitos mais severos em crianças devido ao menor peso corporal.

"É um veneno extremamente agressivo. A criança é picada, recebe a mesma quantidade de veneno que um adulto receberia, mas nela o veneno se distribui por um organismo que tem um peso corporal menor. Então isso vai resultar numa dose de toxina por quilo de peso maior nas crianças, do que no adulto", explica.

Veneno pode comprometer coração e sistema nervoso

Segundo a especialista, o veneno do escorpião atua principalmente sobre o sistema nervoso e pode causar alterações graves no organismo.

Entre os sintomas estão dor intensa no local da picada, taquicardia, sudorese, alterações da pressão arterial, convulsões, agitação psicomotora, sonolência, bradicardia, dor abdominal, falta de ar e, nos casos mais graves, edema agudo de pulmão e comprometimento cardíaco.

Conforme a pediatra, a gravidade do quadro depende da quantidade de veneno inoculada e da idade da vítima, sendo as crianças as mais suscetíveis às complicações.

Rapidez no atendimento faz diferença

A especialista destaca que a dor intensa costuma ser o principal sinal da picada, mesmo quando a lesão na pele é pouco perceptível.

Segundo ela, crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas devem ser encaminhados o mais rapidamente possível a uma unidade de saúde que disponha de soro antiescorpiônico.

De acordo com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) ou o Corpo de Bombeiros (193) podem ser acionados para transportar o paciente até hospitais de referência para soroterapia em casos de acidentes com animais peçonhentos.

Joelma orienta que o local da picada seja higienizado, o membro afetado permaneça elevado e, se necessário, seja administrado um analgésico oral para aliviar a dor. No entanto, essas medidas não devem atrasar o encaminhamento ao hospital.

Medidas simples ajudam na prevenção

A prevenção também é fundamental, especialmente em residências com crianças. A recomendação é sacudir sapatos, roupas e outros objetos que permaneceram guardados antes de utilizá-los, além de evitar que crianças brinquem em locais com entulho, buracos em paredes e acúmulo de materiais de construção.

O Ministério da Saúde também orienta manter quintais e ambientes limpos, eliminar insetos que servem de alimento aos escorpiões, instalar telas e vedações em ralos e pias e afastar camas e berços das paredes, evitando que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão.

Ao encontrar um escorpião, a orientação é comunicar a Vigilância Ambiental do município.

A pediatra lembra ainda que os escorpiões podem se reproduzir por partenogênese, sem necessidade de fecundação, o que favorece a formação de novos indivíduos em um mesmo ambiente.

"Quando uma pessoa encontra um escorpião, em geral, existe uma família deles por perto", alerta Joelma Gonçalves Martin.