Conhecimento sobre bronquiolite avança entre gestantes, mas dúvidas ainda persistem
Pesquisa com 530 gestantes mostra aumento do conhecimento sobre o vírus sincicial respiratório e a imunização durante a gravidez.

O conhecimento de gestantes sobre o vírus sincicial respiratório (VSR), a bronquiolite e a vacinação durante a gravidez aumentou desde 2024, mas dúvidas e percepções equivocadas ainda são comuns, segundo pesquisa realizada com 530 brasileiras de 18 a 45 anos, em todos os estados. O levantamento foi feito pelo Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria a pedido da Pfizer, fornecedora da vacina para o Sistema Único de Saúde (SUS), e divulgado nesta sexta-feira (30).
O percentual de gestantes que conhecem ou já ouviram falar do VSR passou de 58% para 70%. O avanço mais expressivo foi no reconhecimento de que é possível receber a vacina contra a bronquiolite durante a gravidez. Apesar disso, 79% das entrevistadas apresentaram ao menos uma dúvida ou percepção equivocada sobre o tema, enquanto 13% responderam corretamente a todas as afirmações avaliadas.
Percepção sobre a gravidade
A bronquiolite foi apontada por 60% das entrevistadas como a doença infectocontagiosa que mais preocupa as gestantes, ante 40% em 2024. Além disso, 46% entendem que a doença pode ser grave, com risco de hospitalização e morte, especialmente para bebês e idosos.
No Sudeste, 74% das gestantes dizem conhecer ou já ter ouvido falar do VSR, 21 pontos percentuais a mais que em 2024. Na região, a preocupação com a bronquiolite subiu de 40% para 55%, enquanto o número de entrevistadas que reconhecem o risco de internação e morte passou de 33% para 43%.
No Norte e no Centro-Oeste, a percepção sobre a doença aumentou de 12% para 47%. Metade das gestantes dessas regiões já reconhece que a bronquiolite pode ser grave, o dobro do registrado em 2024. Segundo a médica Adriana Ribeiro, 40% associam a bronquiolite ao VSR, 11 pontos percentuais a mais que no levantamento anterior.
Vacinação durante a gestação
A imunização contra o VSR foi autorizada no país em 2024 e incorporada ao SUS em dezembro de 2025. Segundo Adriana Ribeiro, a cobertura nacional entre gestantes está em torno de 84%, mas há estados abaixo de 80%, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro e vários estados do Norte.
Apesar da disponibilidade da prevenção, 46% das gestantes do Sudeste e 38% das do Norte e Centro-Oeste ainda não sabem que há imunização contra o VSR no SUS. “O pré-natal é o momento-chave para fechar essa lacuna”, afirmou a médica.
Em 2026, 72% das entrevistadas disseram saber da existência de um calendário vacinal específico para gestantes, contra 58% em 2024. Ainda assim, 25% acreditam que devem seguir apenas o calendário de vacinação correspondente à própria idade, sem compreender a dinâmica da imunização entre mãe e criança. Outras 31% não reconhecem que algumas vacinas recomendadas durante a gestação também podem contribuir para proteger o bebê.
Recomendação médica
Também houve aumento na indicação de vacinação por profissionais de saúde. Entre as entrevistadas, 88% afirmaram ter recebido recomendação para se vacinar durante a gestação, ante 77% em 2024. Dentre as que receberam a indicação, 96% disseram que seguem ou pretendem seguir a recomendação, e 71% relataram cumprir integralmente as orientações recebidas no pré-natal.
As bronquiolites infantis estão entre as principais causas de internação por infecção em crianças menores de três anos e idosos. Surtos recentes, inclusive após a pandemia de Covid-19, têm preocupado famílias e gestores.
