AVC pode começar durante atividades comuns; reconhecer os sinais e buscar ajuda rapidamente é essencial

No Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, neurologista do Humap-UFMS alerta para sintomas repentinos, orienta como agir diante de uma suspeita e destaca medidas de prevenção.

Publicado em 29/10/2026 às 13:48 - do Idest - Em Saúde

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(Divulgação)

Uma dificuldade repentina para falar, a perda de força em um dos braços ou uma alteração inesperada na visão podem ser os primeiros sinais de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mesmo quando os sintomas parecem leves ou passageiros, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente, pois o tempo entre o início do quadro e o atendimento pode influenciar as possibilidades de recuperação.

O alerta é reforçado nesta quinta-feira (29), Dia Mundial do AVC. A neurologista Isabela de C. Florêncio, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), destaca que qualquer alteração neurológica de início súbito deve ser tratada como uma emergência médica.

Quais são os principais sinais de AVC?

O AVC acontece quando há uma alteração repentina na circulação sanguínea do cérebro. No tipo isquêmico, uma artéria é obstruída, geralmente por um coágulo. Já no hemorrágico, ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo, provocando sangramento.

Os dois tipos podem comprometer funções como movimento, sensibilidade, fala, visão e equilíbrio. A diferenciação depende de avaliação médica e exames de imagem, principalmente a tomografia computadorizada de crânio.

Entre os sinais de alerta estão:

  • Fraqueza ou perda de sensibilidade em um braço ou uma perna, especialmente de um lado do corpo;
  • Assimetria facial, como um lado da boca ficar caído;
  • Dificuldade repentina para falar ou compreender o que é dito;
  • Perda súbita da visão ou alteração do campo visual;
  • Tontura acompanhada de desequilíbrio importante ou dificuldade para caminhar;
  • Alteração do nível de consciência.

Os sintomas não precisam aparecer todos ao mesmo tempo. Uma única alteração que comece de forma repentina já é motivo para buscar atendimento de emergência.

Teste ajuda a reconhecer os sinais

Uma maneira prática de lembrar das manifestações mais comuns é utilizar o mnemônico SAMU:

  • S - Sorriso: peça para a pessoa sorrir e observe se um dos lados da boca está caído.
  • A - Abraço: peça para levantar os dois braços e verifique se há dificuldade para sustentar um deles.
  • M - Música: peça para repetir uma frase simples ou um trecho de uma música conhecida. Observe se a fala está arrastada, confusa ou se há dificuldade para repetir as palavras.
  • U - Urgência: diante de qualquer uma dessas alterações, ligue imediatamente para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192.

O teste auxilia no reconhecimento dos sinais, mas não substitui a avaliação médica. Também é importante não ignorar alterações repentinas da visão, tontura intensa com desequilíbrio ou dificuldade para caminhar.

Mesmo que os sintomas desapareçam, é preciso procurar atendimento

A melhora espontânea não significa que o perigo passou. Os sintomas podem estar relacionados a um Ataque Isquêmico Transitório (AIT), uma alteração neurológica temporária causada pela interrupção transitória do fluxo sanguíneo.

O AIT é considerado um sinal de alerta para um possível AVC, especialmente nas primeiras horas e nos primeiros dias após o episódio. Por isso, mesmo que a pessoa se recupere completamente em poucos minutos, é necessário procurar atendimento de urgência para investigar a causa e avaliar medidas de prevenção.

O que fazer diante de uma suspeita de AVC?

Ao perceber sinais de AVC em casa, no trabalho ou na rua, a primeira atitude é ligar para o SAMU, pelo número 192. Enquanto o socorro não chega, algumas medidas podem ajudar a manter a segurança da pessoa:

  • Mantenha-a em repouso e sob observação;
  • Observe a respiração e siga as orientações da equipe de emergência;
  • Anote o horário em que os sintomas começaram ou quando a pessoa foi vista bem pela última vez;
  • Não ofereça água, alimentos ou medicamentos pela boca;
  • Não administre AAS, anti-hipertensivos ou outros medicamentos por conta própria;
  • Não espere os sintomas passarem para pedir ajuda.

O horário do início dos sintomas é uma informação importante para a equipe médica, pois ajuda a avaliar quais tratamentos podem ser considerados.

Por que cada minuto importa?

Durante um AVC isquêmico, a região cerebral afetada deixa de receber oxigênio e nutrientes adequadamente. Quanto mais tempo a circulação permanece comprometida, maior pode ser a extensão da lesão.

Em casos de AVC isquêmico de grande vaso sem tratamento, estima-se que aproximadamente 1,9 milhão de neurônios possam ser perdidos por minuto. A dimensão dessa perda ajuda a explicar a importância do atendimento rápido.

Entre os tratamentos possíveis está a trombólise intravenosa, que utiliza medicamentos para tentar dissolver o coágulo. Para pacientes elegíveis, a janela habitual é de até quatro horas e meia desde o início dos sintomas.

Em situações específicas, também pode ser indicada a trombectomia mecânica, procedimento que utiliza um cateter para retirar o coágulo de uma artéria de grande calibre. Em pacientes selecionados, o tratamento pode ser realizado em uma janela de até 24 horas desde o último momento em que estavam bem, conforme avaliação especializada e exames de imagem.

A indicação depende das condições clínicas, dos resultados dos exames e dos recursos disponíveis. Esses prazos não devem ser interpretados como motivo para esperar: a recomendação é buscar atendimento imediatamente.

AVC também pode atingir pessoas jovens

Embora seja frequentemente associado ao envelhecimento, o AVC também pode ocorrer em pessoas jovens. Além da hipertensão e do diabetes, o risco pode estar relacionado à predisposição genética, a doenças autoimunes, a alterações da coagulação e a determinadas doenças cardíacas.

Hábitos de vida também influenciam a saúde dos vasos sanguíneos. Sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e alimentação desequilibrada podem contribuir para condições como obesidade, colesterol elevado, hipertensão e diabetes, que aumentam o risco cerebrovascular.

A prevenção inclui medir a pressão arterial regularmente, acompanhar a glicemia e o colesterol, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, não fumar e fazer acompanhamento médico. Doenças crônicas precisam de controle e tratamento adequados.

Reabilitação pode ajudar na recuperação

As consequências de um AVC variam conforme a região cerebral atingida, a extensão da lesão e o tempo até o atendimento. Entre as possíveis sequelas estão dificuldades para caminhar, falar, compreender, enxergar, engolir ou realizar atividades cotidianas.

A recuperação pode levar semanas, meses ou anos. O processo de reabilitação pode envolver fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, acompanhamento médico e, quando necessário, suporte psicológico e neuropsicológico.

O objetivo é recuperar, dentro do possível, as funções comprometidas e favorecer a autonomia, a independência e a qualidade de vida.

No Dia Mundial do AVC, a orientação reforçada pelo Humap-UFMS é não subestimar alterações que começam de repente. Reconhecer os sinais, acionar o SAMU pelo número 192 e informar o horário de início dos sintomas são atitudes que podem fazer diferença na recuperação e na preservação da independência.