Anvisa amplia para bebês a partir de seis semanas o uso da vacina contra meningite

MenQuadfi poderá ser usada na prevenção da doença meningocócica invasiva causada pelos sorogrupos A, C, W e Y.

Publicado em 09/09/2026 às 16:10 - do Idest - Em Saúde

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(Paulo Pinto/Agência Brasil)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em Brasília, a ampliação da indicação da vacina MenQuadfi para crianças a partir de seis semanas de idade. O imunizante, que já era utilizado em outras faixas etárias, passa a ser indicado para adultos e crianças na prevenção da doença meningocócica invasiva causada pelos sorogrupos A, C, W e Y da bactéria Neisseria meningitidis, segundo decisão divulgada nesta quarta-feira (9).

A MenQuadfi é uma vacina meningocócica conjugada administrada por via intramuscular. Com a autorização, bebês a partir de seis semanas de vida passam a integrar o público-alvo do produto, grupo considerado mais vulnerável às formas graves da doença.

Estudos avaliaram segurança em bebês

Segundo a Anvisa, a ampliação da indicação foi baseada em estudos clínicos que avaliaram a segurança da vacina em cerca de 6 mil bebês com idade entre seis semanas e menos de 12 meses. Os participantes receberam pelo menos uma dose do imunizante em diferentes esquemas vacinais.

Também foram analisados dados de pouco mais de 5 mil crianças que receberam uma dose de reforço a partir dos 12 meses de idade. De acordo com a agência, os resultados mostraram um perfil de segurança compatível com o esperado para vacinas meningocócicas conjugadas, sem novas preocupações relevantes relacionadas à segurança do produto.

Doença pode evoluir rapidamente

A Neisseria meningitidis é uma bactéria que atinge o sistema respiratório superior humano e pode ser transmitida por gotículas de secreção. Embora muitas pessoas sejam portadoras assintomáticas, em alguns casos o microrganismo invade a corrente sanguínea e provoca a doença meningocócica invasiva.

A infecção é considerada grave, tem rápida evolução e pode levar à morte mesmo quando tratada adequadamente. Segundo informações da Anvisa, a letalidade gira em torno de 10%, e até 20% dos sobreviventes podem desenvolver sequelas permanentes e incapacitantes. Bebês e crianças pequenas, especialmente no primeiro ano de vida, estão entre os grupos com maior risco de complicações graves.

Novo medicamento para toxicidade do metotrexato

A Anvisa também aprovou o registro do medicamento Voraxaze, indicado para reduzir concentrações tóxicas de metotrexato em pacientes com insuficiência renal aguda ou atraso na eliminação da substância pelo organismo. O uso foi autorizado para adultos e crianças com mais de 28 dias de vida.

O metotrexato é um imunossupressor usado em altas doses no tratamento de alguns tipos de câncer. Em situações de insuficiência renal ou eliminação retardada, a substância pode se acumular no organismo e aumentar o risco de toxicidade grave.

Segundo a agência reguladora, o glucarpidase, princípio ativo do medicamento, é uma enzima recombinante capaz de quebrar o metotrexato e reduzir rapidamente sua concentração no sangue, independentemente da função dos rins. O mecanismo permite a eliminação da substância por uma via alternativa à renal e representa uma opção terapêutica para pacientes com níveis tóxicos do quimioterápico.