TRE-MS vai recontar votos após TSE indeferir candidatura de Jerson Domingos

Reprocessamento da totalização está marcado para 21 de outubro, em Campo Grande, e poderá alterar a distribuição de vagas para deputado estadual e federal em Mato Grosso do Sul.

Publicado em 17/10/2026 às 11:18 - do Idest, com informações do G1MS - Em Política

Jerson Domingos.
Jerson Domingos. (Wagner Guimarães/ALMS)

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) realizará, no dia 21 de outubro, o reprocessamento da totalização dos votos do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 para os cargos de deputado estadual e deputado federal. A medida ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferir a candidatura de Jerson Domingos.

O procedimento está marcado para as 16h30, no plenário do prédio-sede do TRE-MS, em Campo Grande, em cumprimento à decisão do TSE.

Com o indeferimento, os votos recebidos por Jerson Domingos serão anulados para fins de totalização. O recálculo poderá alterar a distribuição de vagas entre partidos e federações partidárias, além da ordem de suplência para os cargos de deputado estadual e federal.

TSE indeferiu candidatura por unanimidade

Em julgamento realizado entre os dias 6 e 8 de outubro, o TSE deu provimento, por unanimidade, a um recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), reformando a decisão anterior do TRE-MS, que havia permitido a candidatura de Jerson Domingos.

O pedido de impugnação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral apontou a suposta participação do candidato em uma organização criminosa investigada no âmbito da Operação Omertà.

Conforme o documento, Jerson foi denunciado e responde a um processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

De acordo com a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ele teria praticado o crime de impedimento ou embaraço à investigação de organização criminosa, em sua forma majorada.

A Procuradoria Eleitoral sustentou que o pedido de impugnação buscava proteger o processo eleitoral contra a influência de organizações criminosas.

Reprocessamento poderá alterar vagas e suplências

Ao final do procedimento, será emitido o relatório Resultado da Totalização, que será anexado ao processo de Apuração de Eleição.

A sessão poderá ser acompanhada por representantes de partidos políticos e federações partidárias, pelo Ministério Público Eleitoral e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O TRE-MS informou que a cerimônia também poderá considerar eventuais decisões posteriores do TSE, desde que proferidas até o horário previsto para o reprocessamento.

Candidatura de Jamilson Name ainda será julgada

Outro candidato que teve a candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral foi Jamilson Name (PP). Até o momento informado no processo, o pedido de impugnação ainda não havia sido julgado, e a data da análise não estava definida.

Segundo o procurador regional eleitoral Silvio Pettengill Neto, Jamilson é réu em um processo relacionado à Operação Omertà, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

De acordo com a Procuradoria, ele responde por crimes como organização criminosa, exploração ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro.

O documento também aponta que, após a prisão do pai, Jamil Name, e do irmão, Jamil Name Filho, Jamilson teria ganhado espaço no grupo investigado e passado a exercer maior liderança na exploração ilegal do jogo do bicho, conforme a acusação.

Com base nos desdobramentos da Operação Omertà, o Ministério Público Eleitoral pede o reconhecimento da inelegibilidade do candidato.

A Procuradoria também menciona uma condenação de Jamilson na sexta fase da operação. Segundo o órgão, ele recebeu pena de oito anos de prisão e 26 dias-multa por integrar organização criminosa armada. A sentença, no entanto, ainda é alvo de recurso.