Pesquisa revela diferenças de posicionamento político entre jovens brasileiros de 15 a 35 anos segundo gênero

Estudo ouviu 2.024 jovens de 15 a 35 anos no Brasil e indica que mulheres tendem a posições mais progressistas, enquanto homens são mais conservadores.

Publicado em 05/11/2025 às 15:21 - do Idest - Em Política

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(Jose Cruz/Agência Brasil)

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (5) pela Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES Brasil) aponta que jovens brasileiras, na faixa etária de 15 a 35 anos, demonstram posicionamentos mais progressistas em comparação a homens da mesma idade, que se mostram mais conservadores.

Levantamento e metodologia

O estudo, intitulado "Juventudes: Um Desafio Pendente", entrevistou 2.024 jovens utilizando amostragem online com painéis web. A pesquisa integra um projeto realizado pela FES em 14 países da América Latina e Caribe.

Divergências e convergências de gênero

Segundo os dados, 65% das mulheres destacaram a importância de políticas públicas voltadas para saúde, educação e combate à pobreza, enquanto os homens apresentaram maior tendência ao conservadorismo, especialmente em temas como aborto e valores sociais. Entre as mulheres, houve uma inclinação quatro pontos percentuais maior à esquerda do espectro político em relação aos homens.

Apesar das diferenças, ambos os grupos concordam sobre a necessidade de políticas públicas e redução das desigualdades no país.

Perfil político da juventude

No total, 38% dos entrevistados se declararam de direita, 44% de centro e 18% de esquerda. O diretor de Projetos da FES Brasil, Willian Habermann, ressalta que, embora haja um posicionamento mais à direita, muitos jovens apoiam valores progressistas, como igualdade de direitos e papel do Estado.

Entre todos os jovens, 66% apoiam a liberdade de orientação sexual e identidade de gênero, 58% aceitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo e 59% concordam com acesso de pessoas transgênero a cuidados de saúde relacionados à afirmação de gênero. Em relação ao aborto, 33% apoiam a legalização, 51% são contrários e 16% não souberam responder.

Democracia e confiança nas instituições

A maioria considera a democracia a melhor forma de governo. No entanto, 49% acreditam que a democracia pode funcionar sem partidos políticos. Além disso, 58% preferem um líder forte a partidos ou instituições, enquanto 29% preferem um governo autoritário. A pesquisa aponta uma crise de confiança nas instituições tradicionais: 57% não confiam nos partidos, 45% desconfiam da Presidência e 42% do Legislativo. Universidades, igrejas e meios de comunicação são mais confiáveis para os jovens.

A desconfiança é maior entre jovens negros em relação à polícia e ao sistema judiciário, refletindo desigualdades raciais e o impacto da violência institucional.

Temas sociais e perspectivas pessoais

Os temas prioritários para os jovens são educação e saúde (86%), proteção ambiental (85%), autonomia de povos indígenas e comunidades étnicas (75%) e regulamentação de plataformas digitais (71%). Sessenta por cento defendem um imposto adicional para os mais ricos, visando redistribuição de renda.

Apesar de 68% relatarem satisfação com a vida e 70% com as relações familiares, predomina insatisfação com a economia e a situação do país. Entre jovens de classes mais baixas, 45% estão desempregados ou buscando oportunidades, e apenas 29% dos jovens pretos e 32% dos pardos têm trabalho estável, contra 45% dos brancos.

Mesmo assim, 88% dos entrevistados mantêm expectativas otimistas para os próximos cinco anos.

Uso de redes sociais

O acesso a informações ocorre principalmente pelas redes sociais, que são a fonte preferida para 60% dos jovens diariamente. Outros 33% utilizam as redes algumas vezes por semana. Plataformas como YouTube e WhatsApp também têm destaque, enquanto apenas 2% recorrem a jornais impressos.

A pesquisa não identificou se os jovens checam a veracidade das informações encontradas nas redes. A influência de influenciadores digitais foi menor do que o esperado, segundo a FES Brasil.

Comparativo latino-americano

O levantamento faz parte de um estudo conduzido nos 14 países onde a FES atua. Em geral, jovens latino-americanos defendem a democracia, o papel do Estado na garantia de direitos sociais e o voto como ferramenta de transformação. Na região, a maioria se posiciona politicamente ao centro, seguida pela direita, e por último à esquerda.