Figueirão: Mulher é impedida de fazer prova do Conselho Tutelar por ser oposição

A comerciante Michelly Furtado registrou o boletim após ser barrada na manhã de hoje. Ela disse que a esposa de um vereador já tinha adiantado que ela não faria o teste.

Publicado em 04/04/2012 às 17:13 - do Idest, Rebeca Silvestrin - Em Política

Imagem da notícia
(Divulgação/Michelly Furtado)
Faltando pouco mais de seis meses para as eleições de 2012, uma moradora de Figueirão procurou a reportagem do para fazer uma denúncia sobre o corpo de docentes que aplicam a prova para fazer parte do Conselho Tutelar do município.

Na manhã desta quarta-feira (04), a comerciante Mychely Furtado, de 32 anos, foi até o local destinado para fazer a prova para integrar o time do Conselho Tutelar e, segundo ela, a confusão começou desde a inscrição, quando a barraram porque ela é da oposição e não vota no atual prefeito, Getúlio Barbosa.

“Cheguei 20 minutos adiantada para a prova. A assistente social que aplica o teste disse que quem elaborou a prova foi um rapaz de Camapuã que presta serviços para a prefeitura de Figueirão, em seguida a assistente disse que a prova chegou na terça-feira (03) e que ela abriu a prova no mesmo dia para ver se estava tudo correto, ou seja, a prova vem lacrada e não pode ser aberta antes dos candidatos, ela fez errado e afirmou que não teve curiosidade de ver as questões”, declarou.

A jovem disse ainda que sofreu discriminação e foi menos favorecida por não apoiar a atual gestão da cidade. “No momento em que a assistente social disse isso eu já nem queria fazer a prova, desanimei. Logo depois, eu e outros três candidatos tínhamos esquecido os documentos necessários para fazer o teste e a assistente deu cinco minutos para que fôssemos buscar. Como eu moro longe sabia que não ia dar tempo, mas fui mesmo assim. Quando eu voltei com o documento ela não me deixou entrar e eu já sabia que isso iria acontecer”, alegou.

Michelly contou ainda que como a cidade é pequena as notícias correm rápido e chegou ao conhecimento dela que a mulher de um dos vereadores do município disse à toda cidade que ela não iria fazer a prova, justamente por ser da oposição.

“Um dos candidatos que estava disputando comigo é esposo de uma dos membros do Conselho, quem me garante que isso não é indicação? Não é justo. Quando voltei com o documento e ela me disse que eu não faria a prova, eu perguntei: você tem certeza disso? Porque eu vou atrás de um advogado e vou registrar o boletim de ocorrência. A única coisa que ela me respondeu foi que eu poderia registrar o boletim e procurar o advogado, pois eu não faria aquela prova”, concluiu Michelly.

A comerciante registrou o boletim e agora espera respostas tanto da administração pública quanto da Justiça em relação a esse episódio.

A reportagem do procurou a prefeitura de Figueirão para esclarecer o assunto, de acordo com a assessoria de imprensa, o Conselho Municipal do Estatuto da Criança e do Adolescente (CMECA), se reúne no final da tarde desta quarta-feira (04) para tomar uma posição sobre o assunto e até o início da próxima semana passam uma explicação à imprensa.

Mas, de antemão, a assessoria de imprensa afirmou que não há problema no fato da assistente social ter aberto a prova, uma vez que, o teste é feito com consulta, portanto não há como apresentar respostas às questões antes do tempo. Todo candidato tem o mesmo direito ao fazer a prova: a consulta ao material para obter as respostas. O assessor ainda afirmou que acredita ser um manobra da oposição, por ser ano eleitoral. "A oposição usa de vários artifícios para denegrir a imagem da prefeitura." O acompanha o caso.