Exército simula defesa cibernética no Brasil às vésperas da eleição

O exercício Guardião Cibernético reuniu cerca de 300 organizações e representantes de 14 países em Brasília e outras seis capitais.

Publicado em 25/09/2026 às 17:52 - Agência Brasil - Em Política

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(Cb Marcos/ CCOMSEx)

O Exército brasileiro coordenou, entre os dias 21 e 25 de setembro, a oitava edição do exercício Guardião Cibernético, realizado em Brasília e outras seis capitais, às vésperas da eleição presidencial. A iniciativa reuniu 1,3 mil participantes, cerca de 300 organizações e representantes de 14 países para simular ataques digitais e treinar a cooperação na proteção de serviços essenciais.

Classificado pelo Exército como um dos mais abrangentes treinamentos de defesa cibernética do Hemisfério Sul, o evento ocorreu em meio a alertas de especialistas e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre possíveis interferências estrangeiras nas eleições brasileiras.

Exercício simula ataques coordenados

Segundo o Exército, a simulação reproduziu cenários de ataques cibernéticos complexos e coordenados. O objetivo foi testar procedimentos, aperfeiçoar planos de contingência e identificar soluções para ampliar a resiliência nacional.

“Durante o exercício, foram reproduzidos cenários de ataques cibernéticos complexos e coordenados, permitindo testar procedimentos, aperfeiçoar planos de contingência e identificar soluções para ampliar a resiliência nacional”, afirmou a instituição em nota.

Além das Forças Armadas, participaram órgãos governamentais, entidades reguladoras e operadores de infraestruturas críticas dos setores de energia, abastecimento de água, telecomunicações e finanças, entre outros.

Relatório aponta risco de interferência externa

Um relatório da Abin divulgado pela Folha de S.Paulo alertou para o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. Elaborado em agosto, o documento classificou a possibilidade de interferência externa com um “nível de criticidade” e afirmou que a “reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina” seria uma prioridade do segundo governo do presidente norte-americano.

Analistas consultados pela reportagem apontaram o risco de ações cibernéticas dos Estados Unidos ou de grandes empresas de tecnologia com o objetivo de influenciar as eleições gerais de outubro. Segundo eles, essas ações poderiam desestabilizar sistemas informáticos e computacionais.

Em 12 de agosto, a Casa Branca publicou um memorando prevendo parceria com empresas privadas para ações que envolvem “acesso a tais sistemas de informação sem autorização do proprietário ou operador ou excedendo o acesso autorizado”.

Invasão a sistema de saúde é citada

Na mesma semana, a Austrália denunciou uma invasão ao site com estatísticas de saúde pública do país atribuída à Open IA, empresa responsável pelo ChatGPT e uma das principais companhias de inteligência artificial do mundo.