Homem que esfaqueou ex-namorada mais de 10 vezes será julgado por tentativa de feminicídio em Campo Grande
Crime ocorreu em abril de 2025, no Bairro Tiradentes. Réu foi preso três dias depois e recebeu liberdade provisória com tornozeleira.

Wellington Paes Lino, de 25 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri no próximo mês, em Campo Grande, por tentativa de feminicídio em contexto de violência doméstica. Segundo a acusação, ele deu mais de 10 golpes de faca na ex-namorada, de 40 anos, após ela pedir o fim do relacionamento, em 6 de abril de 2025, no Bairro Tiradentes.
Ataque ocorreu após pedido de separação
A vítima sofreu ferimentos na vagina, na virilha e no abdômen. Ela foi socorrida por familiares e encaminhada à Santa Casa, onde permaneceu internada e continuou em tratamento após o ataque.
À época, a mulher relatou ao Campo Grande News que vivia um relacionamento conturbado, marcado por ciúmes, ameaças e episódios de violência. O casal estava junto havia quase três anos, com períodos de separação e reconciliação. Antes do ataque, ela já havia pedido medida protetiva contra o então companheiro.
Segundo o relato da vítima, em uma das brigas Wellington destruiu objetos da casa, rasgou documentos das filhas dela e colocou fogo em suas roupas. Em outra ocasião, ele teria arremessado um tijolo que atingiu uma das filhas da mulher e provocou um corte profundo no braço da jovem.
Relato sobre o dia do crime
A mulher contou que os dois haviam ido a uma festa, onde Wellington bebeu e demonstrou ciúmes. Depois que ela pediu a separação e disse que ele deveria ir embora, o homem saiu do quarto e retornou com uma faca e um isqueiro nas mãos. Em seguida, começou a golpeá-la.
“Ele tentou me matar, foi Deus e a oração da minha mãe que me salvaram”, afirmou a vítima em entrevista após o ataque. Na ocasião, ela também disse ter medo de que o ex-companheiro fosse colocado em liberdade, pois ele sabia onde ela trabalhava.
Prisão e liberdade provisória
Wellington ficou foragido por três dias após o ataque. Em 8 de abril, a Polícia Civil divulgou um cartaz com a foto dele e pediu ajuda para localizá-lo. No dia seguinte, policiais do Garras, com apoio do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Dourados, encontraram o suspeito na casa da mãe, no Bairro Moreninhas.
De acordo com o delegado Roberto Guimarães, a equipe fez um levantamento prévio e identificou que Wellington estava na residência. O irmão dele foi abordado em frente ao imóvel e confirmou que o suspeito estava na sala. Ao receber voz de prisão, Wellington afirmou que já sabia o motivo da abordagem e confirmou que havia discutido com a companheira, mas não deu detalhes sobre o caso.
Inicialmente, ele foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Após passar por audiência de custódia, em 11 de abril, recebeu liberdade provisória, com uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
Ministério Público pediu suspensão da soltura
A soltura provocou medo na vítima, que temia novas agressões contra ela e os filhos. Em entrevista ao Campo Grande News, ela afirmou que não se sentia segura com o ex-companheiro em liberdade. Na época, ainda se recuperava dos golpes de faca e permanecia em tratamento na Santa Casa.
Diante da situação, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ingressou com medida cautelar no Tribunal de Justiça para suspender os efeitos da decisão que concedeu liberdade ao investigado. O órgão argumentou que havia risco de novos atos violentos contra a vítima e seus familiares.
