PF mira organização criminosa ligada a facções e cumpre 76 mandados em sete estados, incluindo MS
Operação Ifrit investiga tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e crimes violentos; apuração aponta participação de policiais e liderança de um núcleo familiar.

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), a Operação Ifrit, para desarticular uma organização criminosa transnacional com atuação na fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. A ação, realizada em conjunto com a Receita Federal, cumpre 76 mandados de busca e apreensão e 26 mandados de prisão, sendo 25 preventivas e um temporário, em sete estados brasileiros.
Em Mato Grosso do Sul, os mandados são cumpridos em Campo Grande e Ponta Porã. A operação também ocorre em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia, após autorização da Justiça Federal de Campo Grande.
Além das prisões e buscas, foram determinadas três medidas de monitoração eletrônica e o afastamento de três policiais civis de suas funções públicas.
Organização tinha ligação com facções criminosas
Segundo a investigação, o grupo era liderado por um núcleo familiar e mantinha associação com facções criminosas, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC), conforme informações divulgadas pelo G1.
A apuração também identificou a participação de agentes públicos das forças de segurança, incluindo policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal.
A organização é investigada por tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro, além de crimes violentos, como sequestros, torturas, atentados e homicídios.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava armamento, estruturas de apoio e veículos blindados para exercer controle territorial e intimidar organizações rivais.
Ação ocorre na fronteira com o Paraguai
As investigações apontam que a principal área de atuação da organização era a região de fronteira entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. O grupo também mantinha ramificações em outros estados brasileiros.
Conforme a PF, drogas e armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai. Os produtos abasteciam redes de distribuição no Brasil, enquanto as rotas de tráfico de entorpecentes também tinham como destino países da Europa, especialmente Espanha e Portugal.
Em Campo Grande, equipes policiais foram mobilizadas para cumprir mandados em diferentes endereços, incluindo um galpão de carga e descarga na Rua Ceará, um condomínio de alto padrão na saída para Cuiabá e um imóvel no bairro Vilas Boas.
Em Ponta Porã, a operação também mobilizou equipes em um condomínio localizado na Rua General Osório, na região central da cidade.
