PF e Receita Federal cumprem 44 prisões em operação contra contrabando, falsificação e lavagem de dinheiro na fronteira
Investigação aponta atuação na fronteira entre Brasil e Paraguai e envolvimento de servidores públicos, com mandados cumpridos também em quatro cidades de Mato Grosso do Sul.

Um doleiro apontado como figura central em um esquema de lavagem de dinheiro na fronteira entre Brasil e Paraguai é investigado nas operações Sicarius I e Sicarius II, deflagradas nesta terça-feira (9) pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal do Brasil (RFB). Segundo a Receita Federal no Paraná, ele teria movimentado mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024.
Mandados em 12 estados
As operações cumpriram 44 mandados de prisão preventiva, 14 temporários e 62 de busca e apreensão em 12 estados. Também foram expedidas 45 ordens de sequestro e bloqueio de contas bancárias, cinco ordens de cancelamento de CPFs, sete de cancelamento de CNPJs e 67 ordens para instauração de procedimentos administrativos fiscais contra empresas.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Guaíra.
Esquema com contrabando e agrotóxicos
De acordo com a PF, o grupo atuava no contrabando de cigarros, na importação ilegal de agrotóxicos, na falsificação de documentos e de placas veiculares e na lavagem de dinheiro. A investigação aponta uso de empresas de fachada, interpostas pessoas e mecanismos de ocultação patrimonial para dissimular a origem dos recursos.
Na apuração, a Receita Federal informou que, além dos valores movimentados pelo doleiro, pelo menos R$ 114 milhões circularam em contas bancárias pessoais dele no período investigado. O nome e o local de atuação não foram divulgados.
Apoio de servidores públicos
A PF informou que o grupo contava com apoio de servidores públicos, principalmente policiais rodoviários federais, para atuar na linha internacional entre Paraguai, Mato Grosso do Sul e Paraná. A Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanhou os mandados cumpridos contra integrantes da corporação.
A Superintendência estadual da PRF informou, por meio da assessoria de comunicação, que nenhum policial rodoviário federal de Mato Grosso do Sul é alvo das operações. Em Guaíra, pelo menos três agentes da PRF foram presos.
Alvos em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, os mandados foram cumpridos em Mundo Novo, Eldorado, Maracaju e Nova Andradina. A reportagem apurou que pessoas físicas e jurídicas foram alvos das ordens judiciais.
Em Nova Andradina, agentes estiveram na sede de uma empresa de transporte. Um caminhão que pertenceu à empresa havia sido apreendido com carga de contrabando da organização criminosa, mas o empresário apresentou documentos que indicam a venda do veículo, que não havia sido transferido pelo comprador.
