Paraguaio procurado por furtos de Hilux em MS é preso após assalto em Pedro Juan Caballero

Oscar César Garcia Benites era procurado pela Justiça de Mato Grosso do Sul desde março, após fugir de Dourados.

Publicado em 08/10/2026 às 16:01 - da Redação, com informações do CGNews - Em Policial

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(Reprodução)

O paraguaio Oscar César Garcia Benites, de 28 anos, foi preso em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, após assaltar uma distribuidora de produtos farmacêuticos com um comparsa na segunda-feira. Ele era procurado pela Justiça de Mato Grosso do Sul por suspeita de integrar um grupo especializado em furtos de caminhonetes Toyota Hilux em Dourados. Oscar havia sido solto em audiência de custódia, rompeu a tornozeleira eletrônica e teve a prisão preventiva decretada em março.

Prisão após assalto na fronteira

O assalto ocorreu na manhã de segunda-feira, no Bairro Perpétuo Socorro, em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã. Imagens de câmeras de monitoramento e de moradores mostram os dois suspeitos chegando ao estabelecimento e rendendo os funcionários.

Em seguida, um dos homens foi detido no meio da rua. As imagens mostram o proprietário da distribuidora desferindo um chute na cabeça do suspeito.

Segundo informações divulgadas pela imprensa da linha internacional, Oscar e Edison Ramón Benítez, de 39 anos, foram detidos pela polícia paraguaia e denunciados pelo Ministério Público do Paraguai por roubo agravado. O promotor Andrés Cantaluppi também solicitou a prisão preventiva dos dois investigados.

Conforme a investigação da Polícia Nacional, os suspeitos entraram no estabelecimento armados para levar dinheiro e outros objetos de valor. A proprietária percebeu a movimentação, avisou o marido e ele acompanhou as imagens das câmeras de segurança antes de comunicar o caso a um policial que estava na região.

Com a dupla, a polícia apreendeu um revólver, uma pistola, duas motocicletas, celulares e dinheiro levado do estabelecimento. O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público paraguaio, que pediu a manutenção da prisão dos dois.

Suspeita de furto de caminhonete

O nome de Oscar já constava em uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul sobre um grupo suspeito de furtar caminhonetes na região de Dourados e levá-las para a fronteira com o Paraguai.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em 26 de fevereiro de 2026, Oscar e Robert Chamorro Cristaldo tentaram furtar uma Toyota Hilux branca na noite de 7 de fevereiro, por volta das 19h40, na Rua Palmeiras, na região sul de Dourados.

A dupla teria usado equipamentos para abrir e ligar a caminhonete sem a chave original. Segundo a polícia, veículos Hilux fabricados entre 2016 e 2022 possuem uma falha no sistema de chave inteligente que facilita a atuação dos ladrões.

O furto foi interrompido quando o proprietário surpreendeu os suspeitos dentro do veículo. Eles fugiram e deixaram um telefone celular, posteriormente identificado como pertencente a Robert. A vítima apresentou imagens de câmeras de segurança, que ajudaram os investigadores a identificar os envolvidos.

Oscar e Robert foram localizados na residência de Augusto Oviedo Acosta, no Jardim Água Boa, também na região sul de Dourados. No imóvel, os policiais encontraram uma chave de fenda e dois equipamentos do tipo Rasther, usados para acessar sistemas eletrônicos de veículos.

Os três homens foram levados à delegacia e investigados por participação em um esquema de furtos de caminhonetes. A denúncia apresentada pelo promotor João Linhares atribuiu a Oscar e Robert os crimes de tentativa de furto qualificado, pelo uso de chave falsa e pela participação de mais de uma pessoa, além de associação criminosa. Augusto foi denunciado por associação criminosa.

Fuga após liberdade provisória

Apesar da prisão em flagrante, Oscar obteve liberdade provisória na audiência de custódia realizada em 9 de fevereiro. A Justiça considerou que ele não tinha registros criminais anteriores no sistema policial e que medidas menos rigorosas seriam suficientes para evitar novos delitos.

A decisão determinou, entre outras condições, a proibição de contato com os demais investigados e com a vítima, o comparecimento aos atos do processo, a atualização do endereço e o uso de tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 90 dias.

Conforme documentos do processo, Oscar rompeu a tornozeleira e deixou de cumprir as condições impostas pela Justiça. O Ministério Público pediu a prisão preventiva, decretada em março pela 1ª Vara Criminal, no dia 19.

Em junho, a Justiça manteve a ordem de prisão. A decisão destacou que o rompimento da tornozeleira demonstrava que as medidas anteriores não tinham sido suficientes para garantir o acompanhamento do acusado. Em setembro, uma nova revisão judicial confirmou a necessidade da prisão preventiva.

Com a prisão em flagrante no Paraguai, Oscar deve permanecer detido em seu país de origem.

Investigação aponta divisão de tarefas

A investigação conduzida pela SIG em Dourados também apontou detalhes sobre o funcionamento do grupo suspeito de furtar caminhonetes para levá-las à região de fronteira.

Em depoimento à Polícia Civil, Robert Chamorro Cristaldo afirmou que participava de furtos havia sete meses e admitiu envolvimento em outros seis casos registrados em Dourados. Segundo ele, a Hilux que a dupla tentou furtar em fevereiro havia sido encomendada por uma pessoa não identificada, que pagaria R$ 20 mil pela entrega do veículo em Pedro Juan Caballero.

Desse valor, R$ 3 mil seriam destinados a Oscar, responsável pelo transporte da caminhonete. O restante seria dividido entre Robert e outro integrante, conhecido como “Lembu”, apontado como financiador e fornecedor dos equipamentos usados nos furtos.

Oscar negou participação consciente no esquema criminoso. Em depoimento, confirmou que havia recebido uma proposta de R$ 3 mil para levar a caminhonete até Ponta Porã, mas afirmou desconhecer a origem criminosa do veículo. Segundo sua versão, começou a desconfiar da situação quando viu Robert manuseando os equipamentos usados na tentativa de furto.

A investigação apontou que o grupo teria divisão de tarefas: Robert seria responsável pela retirada dos veículos, Oscar faria o transporte até a fronteira e Augusto Oviedo Acosta ofereceria apoio e hospedagem em Dourados.