Operação investiga fraude em neurocirurgias e apreende mais de R$ 200 mil na casa de médico

Polícia Civil apura suposto esquema que teria desviado mais de R$ 6,5 milhões por meio de ações judiciais para custeio de procedimentos de alta complexidade.

Publicado em 16/06/2026 às 19:25 - do Idest, com informações do G1MS - Em Policial

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(Reprodução Polícia Civil)

Mais de R$ 200 mil em dinheiro vivo foram apreendidos pela Polícia Civil na residência de um neurocirurgião em Campo Grande, nesta terça-feira (16), durante a Operação Neuro Complexus. A ação investiga um suposto esquema de fraude em ações judiciais utilizadas para liberar recursos públicos destinados à realização de neurocirurgias de alta complexidade. Segundo a investigação, o grupo teria desviado mais de R$ 6,5 milhões.

De acordo com o delegado Alexandro Mendes de Araújo, da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão contra cinco investigados: três médicos, uma advogada e um policial aposentado. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.

Investigação aponta possível superfaturamento

Conforme a Polícia Civil, o grupo é suspeito de utilizar a judicialização da saúde para obter recursos públicos destinados a procedimentos neurológicos com valores acima dos praticados no mercado.

A investigação identificou, ao longo de um ano e meio, um padrão considerado suspeito em ações movidas contra o Governo de Mato Grosso do Sul para custear neurocirurgias.

“As cirurgias custavam muito caro. Os médicos entravam com valores ainda maiores para conseguirem mais dinheiro por meio das judicializações. Sempre uma única frente, a de neurocirurgias”, explicou o delegado.

Segundo a apuração, o esquema teria início com o suposto superfaturamento dos procedimentos. Os mesmos profissionais apareciam repetidamente nos processos, participando da elaboração dos orçamentos, da realização das cirurgias e do recebimento dos recursos públicos.

Mais de 40 ações sob investigação

Os investigadores identificaram que, desde 2022, ao menos 40 ações judiciais foram protocoladas pela mesma advogada com pedidos de bloqueio de verbas públicas para a realização de neurocirurgias consideradas urgentes.

A Polícia Civil concluiu que os investigados utilizavam decisões judiciais para garantir o bloqueio de recursos públicos e, posteriormente, executar procedimentos com valores supostamente superiores aos de mercado.

Dinheiro, celulares e documentos apreendidos

Durante a operação, os policiais apreenderam dinheiro em espécie, documentos, notebooks e celulares. O material será analisado para auxiliar na apuração dos crimes investigados, entre eles organização criminosa, estelionato contra a administração pública, fraude processual e lavagem de dinheiro.

A operação contou com o apoio de equipes do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestro), da Decco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado) e da Derf (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos).

No caso da advogada investigada, as diligências foram acompanhadas pela Comissão de Prerrogativas da OAB-MS.

Significado da operação

Segundo a Polícia Civil, o nome da Operação Neuro Complexus faz referência à complexidade das neurocirurgias investigadas e à suposta estrutura montada pelos envolvidos para obtenção de recursos públicos por meio de ações judiciais na área da saúde.