Operação Infiltrados mira policiais suspeitos de desviar drogas apreendidas em MS
Gaeco cumpre 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quinta-feira (24) a Operação “Infiltrados”, que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais.
Ao todo, são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Até o momento, o Gaeco confirmou a prisão de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Como os mandados ainda estão sendo cumpridos, o número de presos pode aumentar ao longo da operação.
Delegado está entre os alvos
Conforme apurado pelo G1 MS, um dos alvos da operação é o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, da 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande.
Anteriormente, Hoffman foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Em junho deste ano, ele foi removido do Garras e transferido para a 6ª Delegacia.
O advogado do delegado, Amilton Ferreira de Almeida, afirmou que Hoffman está em Campo Grande, mas disse não saber onde ele se encontra. Segundo o advogado, não há mandado de prisão contra o delegado. Caso exista, afirmou que Hoffman vai se entregar ainda nesta quinta-feira (24).
Investigação aponta desvio de drogas
As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas descobertas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também realizadas pelo Gaeco.
Segundo o Ministério Público, as apurações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína.
De acordo com o MPMS, os policiais investigados se aproveitavam das funções públicas para desviar drogas apreendidas em ocorrências. Conforme a investigação, o esquema ocorria de duas formas: pela omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais ou pela retirada da droga diretamente dos depósitos das delegacias.
Ainda segundo a investigação, a droga desviada era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, que a colocavam novamente no mercado ilegal.
Operação tem apoio de forças de segurança
A operação conta com o apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal.
A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha as diligências realizadas na residência de uma advogada.
Segundo o MPMS, o nome “Infiltrados” faz referência à presença de integrantes da organização criminosa em órgãos de segurança pública e ao uso de funções e estruturas destinadas ao combate ao crime para a prática dos delitos investigados.
