Operação Gutenberg: dentistas, médica, ex-prefeito e servidor da Saúde são presos pelo Gaeco

Investigação do Ministério Público apura suposto esquema de mais de R$ 27 milhões em contratos públicos de livros paradidáticos e possível influência na regulação da saúde.

Publicado em 07/07/2026 às 19:07 - do Idest, com informações do CGNews - Em Policial

Rossana Jafar, Ed Carlos Britto, Junior Vasconcelos e Olívia Jafar, presos na operação.
Rossana Jafar, Ed Carlos Britto, Junior Vasconcelos e Olívia Jafar, presos na operação. (Reprodução)

A Operação Gutenberg, deflagrada nesta terça-feira (7) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), prendeu a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar, a médica e empresária Olívia Paroschi Jafar, o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos, e o coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlo Britto Burgatt. A investigação apura um suposto esquema que teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos e também investiga possíveis irregularidades na área da saúde pública.

Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Suspeita envolve contratos de livros e influência na saúde

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo investigado é suspeito de direcionar contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos por meio de inexigibilidade de licitação, utilizando empresas e pessoas para ocultar a origem dos recursos.

Além da frente relacionada à educação, o Gaeco também investiga a possível utilização de influência sobre exames, cirurgias e vagas hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de beneficiar ou pressionar municípios envolvidos no suposto esquema.

Mãe e filha estão entre as investigadas

Rossana Paroschi Jafar foi presa no Edifício Porto Madero, no Bairro São Francisco, em Campo Grande. Já a filha dela, Olívia Paroschi Jafar, foi detida no Edifício Olavo Bilac, na Avenida Ricardo Brandão.

Olívia é sócia-administradora da Clínica Ross, empresa fundada em maio de 2026 e que também foi alvo de mandado de busca e apreensão. Formada em Medicina pela Universidade Anhanguera em 2024, não possui especialidade registrada no Conselho Federal de Medicina (CFM). Em suas redes sociais, informa atuar com harmonização corporal e tecnologias, além de possuir pós-graduação em dermatologia clínica e cosmiatria.

A família também mantém ligação com a Gráfica Alvorada, da qual Rossana é sócia-administradora. A empresa já foi mencionada em investigação anterior envolvendo contratos de livros didáticos. Em 2017, Rossana foi alvo da quarta fase da Operação Lama Asfáltica, denominada "Máquinas de Lama", da Polícia Federal.

Ex-prefeito e coordenador da SES também foram presos

Entre os presos está o ex-prefeito de Fátima do Sul, Junior Vasconcelos, que é escrivão da Polícia Civil e atualmente está cedido ao gabinete do deputado estadual Jamilson Name para exercer funções administrativas.

Também foi preso Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador estadual de Regulação Assistencial da SES. Durante a operação, equipes do Gaeco estiveram no Complexo Regulador Estadual (Core), em Campo Grande.

Segundo a investigação, servidores com influência na regulação da saúde poderiam utilizar o acesso a exames, cirurgias e vagas hospitalares para favorecer ou pressionar municípios envolvidos nos contratos investigados.

Operação teve desdobramentos em outros municípios

Em Porto Murtinho, um dos alvos foi Marcio de Souza, servidor da Secretaria Municipal de Educação. Durante o cumprimento dos mandados, ele foi preso em flagrante por porte irregular de arma de fogo após os policiais encontrarem um revólver calibre .22, que, segundo ele, havia sido herdado do pai.

Em Dourados, uma dentista também foi alvo de mandado de busca. Na residência, o Gaeco encontrou uma espingarda calibre .22 e seis munições calibre .38. O material estava em posse do marido da investigada, um comerciante de 47 anos, que foi conduzido à delegacia e autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Governo afasta servidores e abre auditoria

Em nota, o deputado estadual Jamilson Name informou que Junior Vasconcelos não exerce a função de chefe de gabinete, mas está cedido ao gabinete para atividades administrativas. Também afirmou que as investigações devem transcorrer com seriedade, responsabilidade e respeito ao devido processo legal.

Até a última atualização das informações, as defesas de Rossana Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar, Ed Carlo Britto Burgatt e Junior Vasconcelos não haviam se manifestado.

O Governo de Mato Grosso do Sul informou que prestou apoio à operação por meio das forças de segurança e determinou o afastamento ou exoneração dos servidores envolvidos. Também comunicou que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria para apurar procedimentos sob responsabilidade do Executivo relacionados aos fatos investigados.