Operação Dirty Pix afasta secretários e vereadores em Sidrolândia

A operação também prendeu o presidente do hospital local, uma policial civil e um assessor político; foram cumpridos 25 mandados em quatro cidades.

Publicado em 08/10/2026 às 13:54 - da Redação, com informações do CGNews - Em Policial

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(Divulgação MPMS/Imagem ilustrativa)

A segunda fase da Operação Dirty Pix afastou por 180 dias dois secretários da Prefeitura de Sidrolândia e três vereadores da Câmara Municipal durante investigação sobre a chamada “Máfia do Pix”. A apuração aponta desvio superior a R$ 18 milhões em convênios do hospital local, com suspeitas de superfaturamento e repasses a agentes políticos. Também foram presos o presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, uma policial civil e um assessor político.

Secretários são afastados

O prefeito Rodrigo Basso oficializou o afastamento de Enelvo Iradi Felini Junior e Cleyton Martins Teixeira, que ocupavam cargos de secretário municipal. O decreto foi publicado nesta quinta-feira (8) no Diário Oficial de Sidrolândia.

Durante o período de afastamento, o prefeito vai exercer a ordenação de despesas das duas secretarias, com competência para praticar os atos necessários à execução orçamentária, financeira e administrativa das pastas. Basso também exonerou José Ademir Gabardo do cargo comissionado de assessor de Serviços Especializados, vinculado à Segov.

Vereadores afastados

De acordo com o Região News, a Justiça afastou por 180 dias os vereadores Adavilton Brandão, Cledinaldo Cotócio e Izaqueu de Souza Diniz, conhecido como Gabriel Autocar.

Pela ordem definida no resultado das eleições municipais de 2024, deverão ser convocados Maria Tereza Fiúza Ferreira, conhecida como Maria Fiúza; Itamar de Souza Silva; e Claésio Lechner de Albuquerque. Sidrolândia tem 13 vereadores.

O presidente da Câmara de Sidrolândia, Otacir Figueiredo, informou ao Campo Grande News que a Casa ainda não foi oficialmente comunicada da decisão e aguarda a notificação para tomar “as devidas providências”. Prefeito e nem a defesa dos vereadores e secretários afastados foram localizados. O espaço permanece aberto para manifestação.

Prisões e mandados

A segunda fase da Operação Dirty Pix, deflagrada na quarta-feira (7), prendeu Jacob Meeuvis Breure, presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa; Cristina Rosa Gomes de Carvalho, policial civil; e Júlio César Alves da Silva, assessor político.

Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria. A operação é conduzida pelo Gecoc, pela 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia e pelo Gaeco.

Investigação sobre convênios

A investigação começou após a identificação de desvios de recursos públicos destinados à compra de um aparelho de ressonância magnética e de uma autoclave hospitalar. Os recursos eram provenientes de convênio firmado entre o Estado e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, entidade responsável pela gestão do hospital de Sidrolândia.

Com o avanço das apurações, após a primeira fase da Operação Dirty Pix, realizada em novembro de 2025, foram identificados indícios de desvios em outros convênios celebrados pela entidade. Segundo a investigação, os recursos também eram destinados à compra de equipamentos e materiais hospitalares, à aquisição de uma UTI móvel e à execução de obras de reforma do hospital.

Conforme a apuração, os valores envolvidos ultrapassam R$ 18 milhões. Planos de trabalho teriam sido elaborados com informações fraudulentas, superfaturamento de bens e serviços e direcionamento de contratos para empresas previamente alinhadas ao núcleo investigado.

Esquema investigado

Após o recebimento dos recursos públicos nas contas da entidade hospitalar, parte dos valores teria sido desviada das finalidades previstas nos convênios e redistribuída por meio de sucessivas movimentações financeiras. A investigação aponta repasses diretos e indiretos a agentes políticos, articuladores e intermediários.

As provas, segundo os investigadores, também indicaram o uso do poder financeiro da organização para tentar obstruir as apurações. O nome “Dirty Pix”, que significa “pix sujo” em inglês, faz referência às transferências financeiras apontadas como ilícitas.

Na primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025, o Gecoc identificou o desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao hospital. O caso ficou conhecido como “Máfia do Pix”. Segundo a investigação, o dinheiro saía de empresas participantes do esquema diretamente para a conta dos destinatários ou passava por contas bancárias de terceiros, sempre por meio de Pix. Em 2022, vereadores da oposição teriam recebido até R$ 100 mil em propina de uma só vez.