Operação Death List mira suspeito de divulgar listas de pessoas marcadas para morrer por facção

Mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos nesta quinta-feira em Juscimeira (MT); duas pessoas citadas nas publicações foram assassinadas posteriormente.

Publicado em 03/09/2026 às 12:56 - do Idest - Em Policial

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(Divulgação)

A Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, nesta quinta-feira (3), a Operação Death List, que investiga a divulgação, em rede social, de listas com nomes de pessoas apresentadas como “decretadas” para morrer por uma facção criminosa. Mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos contra um investigado em Juscimeira (MT), com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT).

As publicações exibiam nomes, fotografias, apelidos e cidades de residência das pessoas apontadas como alvos. Segundo o MPMS, a maioria das vítimas residia em municípios do interior de Mato Grosso do Sul. Duas pessoas citadas nas listas foram posteriormente assassinadas, sendo que uma delas estava acompanhada da filha, de três anos.

Investigação identificou responsável pelo perfil

A identificação do responsável pelo perfil ocorreu a partir de análise técnica realizada pela UICC durante investigações no ambiente digital.

Conforme o Ministério Público, o conjunto de elementos obtidos permitiu vincular o perfil ao investigado, apesar de sucessivas tentativas de apagar rastros digitais.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos aparelhos celulares. Os equipamentos serão submetidos à extração e análise forense, seguindo os procedimentos de cadeia de custódia.

Investigação apura crimes previstos em lei

Segundo o MPMS, os fatos configuram, em tese, os crimes de favorecimento ao domínio social estruturado, previsto no artigo 3º, incisos I, II e V, da Lei nº 15.358/2026, conhecida como Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, com pena de reclusão de 12 a 20 anos e natureza hedionda.

Também é investigado o crime de ameaça em contexto faccional, previsto no artigo 147-C do Código Penal, sem prejuízo de eventual configuração de organização criminosa.

A operação integra a estratégia do Ministério Público de combate às organizações criminosas no ambiente digital, diante do uso de redes sociais para exibição de poder territorial e intimidação de rivais.

MPMS orienta população a não compartilhar conteúdo

O Ministério Público orienta que a população não compartilhe publicações dessa natureza, mesmo quando a intenção seja alertar outras pessoas.

A recomendação é comunicar imediatamente às autoridades a existência de conteúdos que exponham pessoas a risco de morte.

Denúncias podem ser encaminhadas pela Ouvidoria do MPMS ou aos demais órgãos de segurança pública. Ouvidoria do MPMS