Operação Antidotum investiga fraudes e desvios milionários em contratos da Santa Casa de Campo Grande

MPMS cumpre seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia.

Publicado em 11/09/2026 às 13:17 - do Idest - Em Policial

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(Gecoc/MPMS)

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta sexta-feira (11) a Operação Antidotum, que investiga fraudes e desvios de recursos em contratos relacionados à Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.

Ao todo, estão sendo cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande e Dourados, em Mato Grosso do Sul, e em Goiânia (GO).

Contrato de digitalização de prontuários

A investigação, conduzida pelo Gecoc, identificou supostas fraudes e desvios em um contrato firmado pela Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários.

Segundo o MPMS, foram realizados pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação dos serviços.

O contrato previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano, com vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano, conforme a investigação, o desvio de recursos chegou a R$ 1,4 milhão.

Irregularidades em contratos da Santa Casa Saúde

Durante a investigação, também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com diversas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

De acordo com a apuração, as empresas tinham como proprietário uma pessoa com ligações com a diretoria da Santa Casa. Elas também estavam registradas no mesmo endereço, embora o imóvel estivesse desocupado.

Somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria pago aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas. A investigação aponta um prejuízo de, no mínimo, R$ 3,5 milhões à entidade.

Contratos teriam sido omitidos de órgãos de controle

Ainda conforme o MPMS, durante as apurações foram identificados indícios de que contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados aos órgãos de controle.

Entre os órgãos mencionados estão o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

O valor total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande ainda está sendo apurado no curso das investigações.

Apoio à operação

A Operação Antidotum contou com apoio operacional do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.

O nome da operação, Antidotum, é um termo de origem latina que significa antídoto, contraveneno ou contramedida, fazendo referência a uma substância capaz de neutralizar ou impedir a ação nociva de uma toxina. O termo também pode ser utilizado, em sentido figurado, como recurso ou solução contra um problema.