Presidente e diretores da Santa Casa estão entre alvos de prisões na Operação Antidotum

Operação investiga supostas fraudes de R$ 4,9 milhões em contratos do hospital e cumpre seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca.

Publicado em 11/09/2026 às 15:47 - do Idest, com informações do CGNews - Em Policial

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(Divulgação Gecoc/MPMS)

A presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e diretores da instituição estão entre os alvos de seis mandados de prisão preventiva cumpridos nesta sexta-feira (11) pela Operação Antidotum. Deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Gecoc e do Gaeco, a operação investiga supostas fraudes e desvios de recursos em contratos relacionados à Santa Casa.

Também estão na lista de prisões preventivas Rinaldo Romero, diretor financeiro da Santa Casa; Beatriz Lemes da Silva, diretora do plano Santa Casa Saúde; Paulo Duarte, proprietário da Duarte Cruz e assessor jurídico da Santa Casa; e Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo. Ao todo, são seis ordens de prisão.

A operação também cumpre 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO). Conforme apurado, o escritório de Paulo Duarte, localizado no Bairro Royal Park, em Campo Grande, foi alvo de busca.

Investigação aponta prejuízo de R$ 4,9 milhões

A investigação conduzida pelo Gecoc identificou supostas fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários.

Segundo o MPMS, o contrato previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos teria alcançado R$ 1,4 milhão.

Durante a apuração, também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com diversas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

De acordo com a investigação, as empresas tinham como proprietário uma pessoa com ligações com a diretoria da Santa Casa e estavam registradas no mesmo endereço, embora o imóvel estivesse desocupado.

Somente em 2025, a operadora teria pago aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas, gerando um prejuízo de, no mínimo, R$ 3,5 milhões à entidade.

Contratos teriam sido sonegados de órgãos de controle

Ainda conforme o MPMS, durante as apurações foi constatado que contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados aos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

O valor total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande permanece sob apuração.

A operação contou com apoio operacional do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.

Santa Casa diz que aguarda acesso aos autos

Em nota oficial, a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande informou que está prestando atendimento às autoridades responsáveis pela operação e se colocou à disposição para fornecer informações e esclarecimentos que forem formalmente solicitados.

A instituição afirmou que respeita e acompanha o trabalho das autoridades competentes e que, neste momento, aguarda a liberação do acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações e, a partir disso, se manifestar sobre os fatos.

A Santa Casa também informou que os atendimentos à população seguem normalmente, sem prejuízo à assistência aos pacientes.