Motociclista de aplicativo é sequestrado e roubado por três homens em Campo Grande
Um suspeito foi preso em flagrante, e a motocicleta e o celular da vítima foram recuperados; a Polícia Civil investiga o caso.

Um motociclista de aplicativo, de 36 anos, foi sequestrado, agredido e roubado por três homens armados na região do Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande, na tarde de terça-feira (20). Os suspeitos obrigaram a vítima a entrar em uma caminhonete, transferiram R$ 700 por Pix usando o celular dela e a levaram até uma estrada de chão nos fundos do Bairro Nova Lima. Um suspeito foi preso em flagrante, e a motocicleta e o celular foram recuperados.
Abordagem e agressões
Conforme o boletim de ocorrência, a vítima conduzia uma Honda Fan 160 Start pela Avenida Presidente Castelo Branco quando, por volta das 17h, foi abordada por três homens em uma caminhonete Chevrolet S10 branca. Um deles apontou uma arma e ordenou que o motociclista descesse e entrasse no veículo.
Dentro da caminhonete, a vítima foi agredida e obrigada a desbloquear o celular. Os suspeitos acessaram o aplicativo bancário e transferiram R$ 700 via Pix para a conta de outro envolvido. Depois, levaram o motociclista até uma estrada de chão, onde ordenaram que ele saísse do veículo e o atingiram com três pauladas no ombro, na coxa e na canela.
Em seguida, os criminosos mandaram que a vítima corresse. Enquanto fugia em direção a uma área de mata, o motociclista ouviu dois disparos e se jogou no chão, com medo de ser atingido. Os suspeitos deixaram o local levando a motocicleta, o celular e o dinheiro transferido.
Prisão e recuperação dos bens
A vítima procurou a polícia e registrou o caso. Na noite de terça-feira, por volta das 19h22, policiais militares foram até um terreno baldio na Rua Eugênia Lima após receberem uma denúncia sobre uma motocicleta abandonada. O veículo foi encontrado em meio à vegetação.
Na sequência, os militares receberam informações sobre o rastreamento da motocicleta e do celular roubados, além de relatos sobre uma caminhonete branca em atitude suspeita. A equipe foi até a Rua Guilherme de Almeida, onde abordou Kleydson Baez Quintino, de 25 anos, e outro homem.
Kleydson foi apontado como suspeito de participação no crime e preso em flagrante. Ele foi autuado por roubo majorado pelo concurso de pessoas e pelo emprego de arma de fogo, além de extorsão qualificada. O outro homem foi submetido a reconhecimento pela vítima na delegacia, mas não foi identificado como um dos autores.
Buscas foram realizadas na residência de Kleydson, mas nenhum objeto ilícito foi encontrado. A motocicleta foi encaminhada à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv). O celular, avaliado em R$ 1 mil, foi devolvido à vítima.
Versões apresentadas
Segundo a Polícia Militar (PM), Kleydson afirmou informalmente que a vítima lhe devia R$ 1,6 mil e que a atraiu até o local para cobrar a dívida. Ainda conforme o relato, ele teria chamado outros dois homens para encontrá-la. Em depoimento formal, porém, Kleydson permaneceu em silêncio.
A Polícia Civil (PC) investiga o caso. A defesa de Kleydson pediu liberdade provisória e alegou que os indícios de participação dele são frágeis. Segundo o advogado Mário Ângelo Guarnieri Martins, a vítima não reconheceu o suspeito pessoalmente e apenas identificou a caminhonete.
Pedido de liberdade
A defesa também afirmou que os R$ 700 transferidos por Pix foram enviados para uma terceira pessoa e que nenhum objeto ilícito foi encontrado na casa do investigado. O advogado pediu que seja desconsiderado o relato informal atribuído a Kleydson pelos policiais, argumentando que não há registro de que ele tenha sido informado previamente sobre o direito de permanecer em silêncio.
Na delegacia, acompanhado do defensor, o suspeito optou por não responder às perguntas e declarou que só se manifestaria em juízo. A defesa contestou ainda a necessidade da prisão preventiva, sob o argumento de que a representação policial se baseou na gravidade do crime, sem apontar elementos concretos para justificar a manutenção da custódia.
Para sustentar o pedido, o advogado informou que Kleydson tem residência fixa, trabalha como comerciante autônomo, possui empresa registrada, vive com a companheira grávida e é pai de uma criança de 3 anos. Como alternativas à prisão, foram propostas medidas cautelares, como comparecimento periódico em juízo, proibição de contato e aproximação da vítima, restrição para deixar a comarca, recolhimento domiciliar noturno e uso de tornozeleira eletrônica, caso o Judiciário considere necessário.
