Mato Grosso do Sul registra segunda menor taxa de estelionato do país, mas volume de golpes segue alto

Estado teve 12.061 registros em 2025, mas o anuário aponta que os números podem não refletir a totalidade dos casos.

Publicado em 24/07/2026 às 13:12 - do Idest, com Correio do Estado - Em Policial

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Mato Grosso do Sul registrou a segunda menor taxa de estelionatos do país em 2025, com 12.061 casos, queda de 14,5% em relação a 2024, quando houve 13.998 registros, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ABSP) divulgado nesta quinta-feira. Mesmo com a redução, o Estado ainda concentra em média mais de 1 mil golpes por mês.

Queda também aparece nos golpes eletrônicos

Os estelionatos praticados por meio eletrônico também recuaram no período, passando de 5.503 registros em 2024 para 5.299 em 2025, uma redução de 4,5%. O anuário, no entanto, ressalta que os dados precisam ser lidos com cautela, porque refletem registros policiais e não necessariamente o total de ocorrências.

O documento aponta possível subnotificação e cita pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgada em março de 2023, segundo a qual 15,8% da população com 16 anos ou mais foi vítima de golpe ou perdeu dinheiro por internet ou celular no ano anterior, o que equivale a 26,3 milhões de pessoas no país.

Fraudes mais estruturadas

Na análise do ABSP, os estelionatários têm atuado de forma menos isolada e mais estruturada, com divisão de trabalho e infraestrutura tecnológica. O relatório também cita investigações que apontam envolvimento direto de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), em fraudes digitais.

Segundo o anuário, essas práticas são tratadas como uma atividade de baixo risco e alta rentabilidade em comparação ao tráfico de drogas. Em 2025, o Brasil registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato, número 429,8% maior que o de 2018, primeiro ano da série histórica.

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(Foto: Reprodução/Correio do Estado)

Crime com difícil responsabilização

O levantamento afirma ainda que os golpes são hoje o crime que mais desperta medo entre os brasileiros, com 83,2% da população dizendo temer ser vítima de fraude pela internet ou pelo celular. O relatório também destaca a dificuldade de identificar e responsabilizar autores, ao comparar boletins de ocorrência, processos penais e prisões.

Dos 2.261.055 boletins registrados no país no ano passado, apenas 52.649 resultaram em processos penais e 4.819 pessoas foram presas. Para o anuário, esse descompasso reforça a dificuldade de resposta do sistema de justiça diante desse tipo de crime.

Golpes mais comuns

Pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), divulgada em junho de 2025, apontou como golpes e fraudes mais comuns no país clonagem ou troca de cartão, golpe do WhatsApp, falsa central bancária, golpe do Pix, uso indevido de CPF via SMS e leilão ou loja falsa.

O estudo afirma que esses crimes usam engenharia social, com técnicas de manipulação para induzir a vítima a fornecer dados, instalar aplicativos, entregar cartões, informar códigos de autenticação ou fazer transferências. Leia reportagem completa no Correio do Estado, aqui.