Mato Grosso do Sul registra 4.488 casos de injúria contra mulheres em 2025, segundo diagnóstico nacional
Estado ficou atrás apenas de São Paulo no número de casos de injúria, conforme levantamento do Ministério das Mulheres.

Mato Grosso do Sul registrou 4.488 casos de injúria contra mulheres em 2025, o segundo maior número do país, conforme o 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, divulgado pelo Ministério das Mulheres (MM) com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O estado ficou atrás apenas de São Paulo, que teve 16.359 registros.
Ameaça lidera registros de violência
De acordo com o levantamento, Mato Grosso do Sul contabilizou uma média de 11,5 casos de injúria por dia. Goiás aparece em terceiro lugar no ranking, com 4.088 registros.
Apesar do alto número de casos de injúria, o crime mais registrado contra mulheres no estado foi ameaça, com 5.126 vítimas. Na sequência, aparecem 4.088 registros de injúria, 1.953 casos de lesão corporal, 772 de perseguição, 373 de violência psicológica, 353 de estupro, 44 registros não autorizados de intimidade sexual e oito feminicídios.
O artigo 140 do Código Penal Brasileiro considera crime injuriar alguém, ofendendo sua dignidade ou decoro. Em caso de condenação, a pena prevista é de um a seis meses de detenção ou multa, com possibilidade de ampliação quando a conduta envolve violência ou vias de fato consideradas aviltantes.
Crimes contra a dignidade sexual
Considerando os crimes contra a dignidade sexual, foram registrados 696 casos em Mato Grosso do Sul em 2025. Para o diagnóstico, foram incluídas vítimas de estupro, importunação sexual, assédio sexual e registro não autorizado da intimidade sexual.
O documento ressalta que os números correspondem exclusivamente às informações declaradas pelas unidades especializadas que participaram do levantamento e não representam a totalidade das vítimas registradas pelas Polícias Civis brasileiras.
Atendimento especializado
O diagnóstico identificou 13 unidades especializadas no atendimento às mulheres em funcionamento no estado. Dessas, 12 participaram da pesquisa. Em todo o país, havia 585 unidades especializadas em funcionamento.
Em Mato Grosso do Sul, essas unidades registraram 14.929 boletins de ocorrência, instauraram 16.675 inquéritos, receberam 8.334 solicitações de medidas protetivas, efetuaram 1.736 prisões em flagrante e lavraram 41 termos circunstanciados.
Equipe e procedimentos encaminhados
Ao longo do ano, 190 queixas ou representações foram retiradas durante a fase de inquérito. Em relação aos procedimentos encaminhados ao Poder Judiciário, 5.487 foram remetidos com autoria definida e 44 sem autoria definida.
As unidades especializadas contavam com 162 profissionais: 32 delegados, 68 agentes, 50 escrivães, quatro psicólogos, quatro assistentes sociais e quatro servidores em outras funções. Desse total, 117 profissionais tinham capacitação para o atendimento às mulheres.
