Laudo da PF descarta presença de cocaína em 260 toneladas de madeira apreendidas na fronteira com a Bolívia

Perícia confirmou resultado negativo para a droga em carga retida em Corumbá (MS) e Cáceres (MT); caminhões seguem parados e empresários relatam prejuízos.

Publicado em 23/07/2026 às 11:34 - do Idest, com informações do G1MS - Em Policial

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(Divulgação Receita Federal)

Um laudo divulgado pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (22) confirmou a ausência de cocaína na carga de 260 toneladas de madeira apreendida na fronteira do Brasil com a Bolívia, nas cidades de Corumbá (MS) e Cáceres (MT). A carga havia sido retida em junho após testes preliminares realizados pela Receita Federal indicarem a possível presença de cocaína diluída na madeira. A perícia da PF, no entanto, descartou a existência da droga nas amostras analisadas.

Perícia descartou contaminação da madeira

Os exames periciais foram realizados entre os dias 23 e 29 de junho. Após a descarga da carga, em 2 de julho, as madeiras passaram por uma nova inspeção com o auxílio de cães farejadores, que também não identificaram a presença de entorpecentes.

Na sequência, peritos selecionaram aleatoriamente algumas peças da carga e coletaram nove amostras, sendo cinco de serragem e quatro de lascas de madeira, utilizando ferramentas como motosserras e furadeiras.

Segundo a Polícia Federal, todos os testes laboratoriais e exames instrumentais apresentaram resultado negativo para cocaína impregnada na madeira.

De acordo com o laudo, os fragmentos passaram por inspeção detalhada para identificar características naturais da madeira e possíveis indícios de substâncias em seu interior ou na superfície. A conclusão foi de que não houve detecção de cocaína nas amostras examinadas. Ainda conforme o documento, outros materiais foram recolhidos para eventual contraprova.

Polícia boliviana já havia contestado suspeita

Ainda na segunda quinzena de junho, a Polícia Boliviana já havia informado que testes realizados no país também não encontraram vestígios da droga na carga.

Na ocasião, o comandante boliviano Mirko Sokol afirmou que as informações preliminares não indicavam motivos para a continuidade da investigação relacionada à suspeita de contaminação da madeira.

Caminhões seguem retidos e empresários relatam prejuízos

Apesar da conclusão da perícia, quatro caminhões permanecem retidos na alfândega de Corumbá. A paralisação provoca atrasos nas entregas, aumento dos custos logísticos e prejuízos para importadores.

O empresário Alessandro Castro afirma que está há quase um mês sem conseguir trabalhar e relata dificuldades para manter as operações e atender os clientes.

Já o advogado Leandro Lobo, que representa outro importador, informou que os custos com diárias dos caminhões chegam a R$ 44 mil. Segundo ele, a defesa pretende recorrer à Justiça para buscar a isenção dessas despesas, sob o argumento de que os empresários não deram causa à retenção da carga.

Operação teve apoio internacional

A apreensão ocorreu durante a Operação Timber Shield, realizada pela Receita Federal com apoio da Polícia Federal, Exército Brasileiro e órgãos de inteligência dos Estados Unidos e da Bolívia.

Ao todo, cerca de 260 toneladas de madeira transportadas em oito caminhões foram fiscalizadas. Quatro veículos foram interceptados em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT).

Informações compartilhadas entre autoridades brasileiras, norte-americanas e bolivianas indicavam a possibilidade de a carga estar contaminada com cocaína, motivando o reforço da fiscalização na fronteira.

Os testes preliminares realizados durante a inspeção apontaram indícios da presença da droga, hipótese que acabou descartada pela perícia da Polícia Federal.

Destino da carga

Segundo as informações obtidas durante a operação, a madeira tinha como destino os estados de Mato Grosso do Sul e Paraná. Parte da carga seguiria para Campo Grande antes da distribuição.

Enquanto os procedimentos são concluídos, os caminhões permanecem sob custódia das autoridades. Em Corumbá, os veículos estão armazenados no pátio da Agesa, porto seco e terminal logístico localizado na fronteira entre Brasil e Bolívia.