Justiça decreta prisão do ex-deputado Neno Razuk após perda do mandato em Mato Grosso do Sul

Condenado a mais de 15 anos de prisão na Operação Sucessione, ex-parlamentar é acusado de integrar organização criminosa ligada ao jogo do bicho.

Publicado em 08/07/2026 às 18:35 - do Idest, com informações do G1MS - Em Policial

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(Reprodução)

A Justiça decretou, nesta quarta-feira (8), a prisão do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk, condenado a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho. A decisão foi proferida pouco mais de um mês após o ex-parlamentar perder o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Até deixar o cargo, Neno Razuk respondia ao processo em liberdade, amparado pela imunidade parlamentar prevista na Constituição.

Condenação é resultado da Operação Sucessione

A condenação decorre da Operação Sucessione, investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que apura a disputa pelo controle do jogo do bicho no Estado.

Segundo as investigações, Roberto Razuk Filho e familiares integravam uma organização criminosa que buscava assumir o comando da atividade em Dourados após a deflagração da Operação Omertà. O Ministério Público também aponta que integrantes do grupo participaram de roubos contra uma organização rival em Campo Grande, em 2023.

Organização utilizava imóvel como base de operações

De acordo com o Ministério Público, uma residência localizada no Jardim Monte Castelo, em Campo Grande, era utilizada como base da organização criminosa. No local, foram apreendidas mais de 700 máquinas destinadas à exploração do jogo do bicho.

Na sentença, o juiz José Henrique Castelfranco destacou que o grupo tentou ocupar o espaço deixado após a Operação Omertà, que desarticulou outra organização investigada por explorar jogos ilegais em Mato Grosso do Sul.

Nova denúncia investiga lavagem de dinheiro

A Operação Sucessione também originou uma segunda denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual. Conforme o Gaeco, documentos, celulares, computadores e depoimentos indicam que familiares de Roberto Razuk Filho exerciam funções estratégicas dentro da organização.

O grupo é investigado por lavagem de dinheiro, exploração de jogos de azar, corrupção e violação de sigilo funcional.

Durante as buscas, os investigadores apreenderam R$ 274 mil, mais de 1 mil euros e planilhas que, segundo o Ministério Público, apontam faturamento mensal de pelo menos R$ 600 mil com a exploração do jogo do bicho em municípios de Mato Grosso do Sul.

Com base nas investigações, o Ministério Público requereu o bloqueio de R$ 36 milhões em bens da família Razuk.

Outras condenações

A primeira sentença da Operação Sucessione também condenou outras dez pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa. Já a segunda denúncia apresentada pelo Ministério Público ainda aguarda decisão da Justiça.