Juiz aceita denúncia contra ex-diretor da PED e outras 10 pessoas por crimes dentro de presídio

Entre os acusados estão servidores, detentos e uma advogada; processo apura corrupção, tráfico de drogas, homicídio e outros crimes.

Publicado em 10/09/2026 às 12:58 - do Idest, com informações do Correio do Estado - Em Policial

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(Dourados News)

O juiz Marcel Goulart Vieira, da 2ª Vara Criminal de Dourados, aceitou a denúncia contra o ex-diretor da Penitenciária Estadual de Dourados (PED), Rangel Schveiger, e outras 10 pessoas, entre servidores, detentos e uma advogada. O grupo é acusado de envolvimento em crimes cometidos dentro da unidade prisional, incluindo tráfico de drogas, corrupção de servidores públicos e homicídio.

Com o recebimento da denúncia, os acusados se tornaram réus. Na decisão, o magistrado afirmou haver prova da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria. A denúncia aponta crimes de corrupção ativa e passiva, favorecimento real, fraude em licitações e advocacia administrativa.

Suposto esquema dentro da prisão

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), o ex-diretor, outros policiais penais e a advogada teriam formado uma organização criminosa dentro da PED. O grupo teria recebido valores pagos por presos e familiares para facilitar o tráfico de drogas, o porte de armas e a entrada de celulares na unidade.

A denúncia afirma que Schveiger teria usado as prerrogativas do cargo para comercializar celulares dentro do presídio e mantido relação financeira e comercial com um interno que trabalhava na cantina. Também teria sido identificado um esquema de pagamentos e facilidades na PED e na Gameleira II para beneficiar um detento apontado como liderança do Comando Vermelho (CV), além de outros presos indicados por ele.

As investigações apontaram que, em uma das negociações, teriam sido pagos R$ 9 mil a um policial para permitir a entrada de um celular na unidade. Em outro caso, um policial teria recebido R$ 300 mil para garantir a um preso exclusividade na venda de drogas e autorização para portar uma pistola calibre .9 mm dentro da penitenciária.

Pedidos do Ministério Público

Na denúncia, o MPE também pediu o afastamento dos acusados de suas funções e a perda de acesso aos sistemas de informação. O juiz, porém, não acolheu os pedidos.

Segundo Marcel Goulart Vieira, embora os supostos crimes tenham sido praticados durante o exercício de função pública, os fatos são de 2024 e não há, nos autos, informações atuais de que os acusados estejam abusando dos cargos ou utilizando indevidamente os sistemas. Por isso, o magistrado decidiu não determinar a suspensão neste momento.

O processo está na fase de prazo para manifestação das defesas. Os denunciados são Aline Guerrato Foroni, advogada; Aluizio Boteiro Chastel Villazante, policial penal; Eduardo de Jesus de Oliveira, conhecido como Cachoeirinha, detento; Eduardo Trigueiro dos Santos Silva, policial penal; Gislaine de Souza Fonseca Schveiger, policial penal; Herberte Gonçalves Mareco, conhecido como PM aposentado, detento; Luciano da Silva Cunha, conhecido como Pescoço de Frango, detento; Luis Élio Gonçalves Filho, conhecido como Cabeça de Porco ou Gordão, detento; Mauro Pereira dos Santos, policial penal; Rafael Garcia Ribeiro, policial penal; e Rangel Schveiger, policial penal e ex-diretor da PED.

Operação Sátrapa

Conforme reportagem do Correio do Estado, a investigação resultou na Operação Sátrapa, deflagrada em fevereiro de 2025 pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado. A ação teve como objetivo apurar crimes cometidos dentro do presídio.

As investigações começaram em 2024, depois que a polícia recebeu informações de que um policial penal estaria entrando no Presídio Estadual de Dourados com drogas e celulares. Ele foi preso em flagrante em julho daquele ano, transportando cerca de 1,5 quilo de entorpecentes para o interior da unidade.

Durante a operação, o diretor foi afastado do cargo e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Outros servidores também teriam sido envolvidos em um homicídio cometido dentro do presídio, supostamente a mando de um interno que afirmava ser líder de uma facção criminosa e atualmente cumpre pena no sistema federal.

A esposa do detento apontado como mandante, que é advogada, também foi denunciada e se tornou ré. O juiz determinou ainda que a denúncia seja comunicada à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional de Mato Grosso do Sul.