Justiça concede liberdade provisória a irmão de prefeito de Bandeirantes e motorista presos por suspeita de desvio de combustível
Dupla foi presa em flagrante durante operação da Deleagro; investigação aponta suposta comercialização clandestina de diesel em Bandeirantes.

O mecânico Selmo Ribeiro Abrantes, irmão do prefeito de Bandeirantes, Celso Ribeiro Abrantes (PSD), e o motorista de caminhão-tanque Paulo Cezar Soares obtiveram liberdade provisória nesta sexta-feira (12), após passarem por audiência de custódia.
Os dois haviam sido presos em flagrante na última quarta-feira (10), durante uma operação da Delegacia Especializada de Combate a Crimes Rurais e Abigeato (Deleagro), que investigava o desvio e a comercialização clandestina de combustível furtado.
Como medidas cautelares, a Justiça determinou que ambos não mantenham contato entre si e compareçam mensalmente em juízo para informar e justificar suas atividades.
Prisão ocorreu em oficina administrada por Selmo
Segundo a investigação, Selmo foi preso em uma propriedade rural da família, onde administra a oficina pertencente ao prefeito de Bandeirantes.
No local, os policiais flagraram o descarregamento de combustível em tanques de armazenamento instalados sob árvores. Durante a ação, foram apreendidos quatro tanques contendo aproximadamente 1,7 mil litros de diesel S-500 e S-10, além de 20 tambores plásticos utilizados para o armazenamento e fracionamento do produto.
Motorista relatou entregas anteriores
De acordo com o boletim de ocorrência, Paulo Cezar Soares informou aos policiais que já havia realizado outras entregas de combustível no local.
Ainda segundo o registro policial, o motorista relatou que descarregaria 600 litros de diesel pelo valor de R$ 4 por litro. Ele também autorizou o acesso ao conteúdo de seu aparelho celular.
Durante a análise do dispositivo, os investigadores localizaram conversas e comprovantes de transferências bancárias relacionados às negociações do combustível.
Investigação cita prefeito
Conforme a Deleagro, as investigações apontam que as tratativas para aquisição do combustível eram realizadas diretamente entre o motorista e o prefeito Celso Abrantes.
Segundo a polícia, mensagens de texto e comprovantes bancários encontrados no celular de Paulo indicariam que o chefe do Executivo municipal seria o comprador e articulador das negociações.
Por sua vez, Selmo afirmou aos policiais que auxiliou o motorista no descarregamento do combustível em duas ou três ocasiões anteriores, mas alegou desconhecer a origem do produto, os valores negociados e a forma de pagamento. Ele declarou que sua atuação estava restrita à manutenção dos veículos e à organização do pátio da oficina.
Prefeito nega envolvimento
Em vídeo divulgado na quinta-feira (11), o prefeito Celso Abrantes negou qualquer participação em esquema criminoso.
Segundo ele, o irmão teria sido vítima de uma situação motivada por "politicagem". O prefeito também afirmou que a irregularidade observada no local se limitava à ausência de nota fiscal durante o descarregamento do combustível.
O caso segue sob investigação das autoridades policiais.
